terça-feira, 28 de fevereiro de 2012


Uma investigação simples: Pensamentos vêm e vão. Você é os pensamentos que vêm e vão? Sensações aparecem e desaparecem. Você é essas sensações? Sons, sensações, cheiros, dança. Você é aqueles sons, sentimentos, cheiros? E continue procurando: você tem alguma maneira de realmente separar o que você é a partir desses pensamentos, sensações, sentimentos? Existe alguma diferença entre o que você é e tudo o que aparece? Ou há apenas intimidade com toda a vida? Não pule para 'sim' ou 'não'. Não olhe para a mente (pensamento) para as respostas - a mente vem e vai. Olhe para o que está realmente acontecendo.
A vida está aqui para quebrar o seu coração outra vez até você perceber que desgosto tb faz parte da vida também. E então seu coração já não pode ser quebrado. Ou corrigido. E você ficar nu na frente da vida, momento a momento, sabendo que tudo que acontece é totalmente bem, mesmo em meio à devastação, o que, naturalmente, é a perfeita devastação. Esta é a liberdade para além do falar.]

Não há pensamento negativo. Nós chamamos um pensamento negativo quando não gostamos do que ele está falando de nós. Em outras palavras, quando estamos defendendo uma imagem de nós mesmos (ego).
JEFF FOSTER

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CELEBRAÇÃO DO MÍSTICO


A palavra ilusão significa apenas uma aparência distorcida, e não algo não existente. Portanto, na espiritualidade, o eu é uma ilusão, mas não que ele não exista, mas pelo fato de que ele não é o que pensamos que ele é.
Estamos vendo a onda separada do oceano.
Sim, a onda existe do ponto de vista relativo. Sim!
Mas a onda existe porque existe o oceano.
Ela não existe SEPARADAMENTE do oceano.
Oceano-onda é um processo apenas, que o pensamento divide.
Na meditação, o que vivenciamos é a não separação entre o universo e nós mesmos.
E onde estaria essa distorção senão apenas no pensamento?

Ver que a cobra nunca deixou de ser apenas uma corda velha, e que a onda nunca foi separada do oceano é a celebração do místico.

Naseeb.

DICA SOBRE MEDITAÇÃO by Osho


Os últimos estudos dizem que se você fizer algum exercício corporal por vinte minutos e depois fizer o mesmo exercício por quarenta minutos, o benefício não será dobrado. E se você fizer por sessenta minutos o benefício se tornará prejudicial. É exatamente como quando você come algo que é benéfico. Se você comer muito não será benéfico, isso se tornará prejudicial. Assim, a matemática comum não funciona.

Sempre que você encontrar tempo, apenas por uns poucos minutos, relaxe o sistema de respiração, nada mais – não há necessidade de relaxar o corpo inteiro. Sentado num ônibus, ou num avião, ou num carro, ninguém perceberá que você está fazendo alguma coisa. Apenas relaxe o sistema de respiração. Deixe que ele seja como quando ele está funcionando naturalmente. Então feche os olhos e observe a respiração entrando, saindo, entrando, saindo...

Não concentre. Se você concentrar, irá criar problemas, porque então tudo se tornará uma perturbação. Se você tentar se concentrar sentado num carro, então o barulho do carro se tornará uma perturbação, a pessoa sentada ao seu lado se tornará uma perturbação.

Meditação não é concentração. Ela é simples consciência. Você simplesmente relaxa e observa a respiração. Em tal observação, nada é excluído. O carro está fazendo barulho – isso está perfeitamente Ok, aceite isso. O trânsito está movimentando – isso está Ok, faz parte da vida. A pessoa sentada ao seu lado está roncando, aceite isso. Nada é rejeitado. Você não tem que estreitar sua consciência.

Concentração é um estreitamento de sua consciência de modo que você se torne focado num ponto, mas tudo mais se torna uma concorrência. Você está brigando com tudo mais porque você tem medo de que aquele ponto seja perdido. Você pode se distrair e isso se torna uma perturbação. Por isso você precisa de isolamento, dos Himalaias. Você precisa ir a Índia e para um quarto onde você possa sentar-se silenciosamente, sem ninguém perturbando você de modo algum.

Não, isso não é certo – isso não pode se tornar um método de vida. Isso é isolar a si mesmo. Isso tem alguns bons resultados – você se sente mais tranqüilo, mais calmo – mas esses resultados são temporários. É por isso que você sente repetidas vezes que aquela entonação foi perdida. Uma vez que você não tenha as condições nas quais ela pode acontecer, ela se perde.

A meditação na qual você precisa de certos pré-requisitos, na qual certas condições precisam ser atendidas, não é meditação de modo algum – porque você não será capaz de fazê-la quando estiver morrendo. A morte será uma distração. Se a vida distrai, pense sobre a morte. Você não será capaz de morrer meditativamente, e então toda essa coisa é inútil, é perdida. Você novamente morrerá tenso, ansioso, na miséria, no sofrimento e criará imediatamente o seu próximo nascimento no mesmo padrão.

Deixe que a morte seja o critério. Qualquer coisa que possa ser feita mesmo enquanto você estiver morrendo é real – e isso pode ser feito em qualquer lugar; em qualquer lugar e sem condições como requisito. Se algumas vezes as boas condições estiverem ali, tudo bem, você desfruta delas. Se não, isso não faz qualquer diferença. Mesmo na praça do mercado você pode fazê-la.

Não deve haver qualquer tentativa de se controlar a respiração, porque todo controle é da mente, assim a meditação nunca pode ser uma coisa controlada.

A mente não consegue meditar. Meditação é alguma coisa além da mente, ou abaixo da mente, mas nunca na mente. Assim, se a mente permanecer observando e controlando, isso não é meditação; isso é concentração.

Concentração é um esforço da mente, ela traz as qualidades da mente ao seu ponto máximo. Um cientista se concentra, um soldado se concentra, um caçador, um pesquisador, um matemático, todos se concentram. Essas são atividades da mente.

A qualquer tempo medite. Não há necessidade de ter um tempo pré-determinado. Use qualquer tempo que tiver disponível. No banheiro, quando você tiver dez minutos, simplesmente sente-se debaixo do chuveiro e medite. De manhã, depois do almoço, por quatro, cinco vezes, em pequenos intervalos – apenas de cinco minutos – medite, e você verá que isso se tornará uma constante nutrição.

Não há necessidade de fazê-la por vinte e quatro horas.

Apenas uma xícara de meditação é o bastante. Não precisa beber todo o rio. Apenas uma xícara. E faça isso o mais fácil possível. O fácil é o certo. Faça o mais natural possível. Simplesmente faça quando você encontrar tempo. E não faça disso um hábito, porque todos os hábitos são da mente e, na verdade, a pessoa real não tem qualquer hábito.

(OSHO – Nothing to Lose But Your Head - Cap. 5)

WHITMAN




"Creio que eu poderia transformar-me e viver como os animais. Eles são tão calmos e donos de si! Detenho-me para contemplá-los sem parar. Não se atarantam nem se queixam da própria sorte; não passam a noite em claro, remoendo suas culpas, nem me aborrecem falando de suas obrigações para com Deus. Nenhum deles se mostra insatisfeito; nenhum deles se acha dominado pela mania de possuir coisas; nenhum deles fica de joelhos diante de outro, nem diante da recordação de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos. Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo o amplo mundo."

WALT WHITMAN - poeta americano

ON THE ROAD


Eu só confio nas pessoas loucas, aquelas que são loucas pra viver, loucas para falar, loucas para serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, que nunca bocejam ou dizem uma coisa corriqueira, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosas velas amarelas romanas explodindo como aranhas através das estrelas.

JACK KEROUAC

O CAMINHO


Tudo aquilo que você se identifica, você incorpora em seu Eu. Lembre-se de que a verdadeira religiosidade, a genuína espiritualidade, é revelar a você sua universalidade. O Ser é universal, e ele é você agora. Mas estamos hipnotizados. Esses tempos que estamos vivendo são propícios para o homem encontrar seu verdadeiro Eu. O eu que nós pensamos ser é limitado aos pensamentos do que somos. Mas pensamentos são produto da cultura humana. O que há além da cultura humana ? De onde vem todo o conhecimento ? De onde vem a cultura humana ? De onde vem todas as informações que recebemos como inspiração, para todas as nossas invenções, para toda a arte, para tudo que acontece.de onde vem todo o universo ? De onde vem a vida ? Ninguém parece poder explicar...

Estas são perguntas dos que já a estão no Caminho. O Caminho da meditação é uma busca do Eu real, daquilo que está por trás das máscaras, daquilo que não é parte do filme criado; porque o filme muda, o filme passa, mas o vazio não passa, o Vazio Criativo permanece vazio mesmo no meio do mundo, e permanece Criativo na eternidade. Este mundo que vivemos está cheio de vazio, dizem os modernos físicos quânticos. O próprio São Tomás, na Teologia Cristã, se refere a este ponto assim, no seu Summa Contra Gentiles (1:14, 15):


"Deus não se move de maneira alguma e, portanto, não pode ser medido pelo tempo; tampouco existe "antes ou depois" nem já não existe depois de haver existido, nem pode ser encontrada n’Ele nenhuma sucessão...mas tem a totalidade da sua existência simultaneamente; e ssa é a natureza da eternidade."


A essência de todas as religiões está na sabedoria perene de que tudo é uma emanação daquilo que não aparece. Assim como a ponta do dedo não pode tocar a si mesma, do mesmo modo Consciência ou Deus no seu nível absoluto não pode ser definido porque não há ninguém a definir. Quem definiria, se para definir precisamos da mente, que é um instrumento da matéria sutil (energia) e densa (cérebro). A mente não pode ver além de si mesma. Assim como quando você programa seu computador. A mente racional é um computador operado pelo cérebro. Ela regula o mecanismo natural de sobrevivência do corpo, buscando equilíbrio e prazer.


O vedantista Ramana Maharshi, sábio iluminado indiano que viveu no século passado, lembra a física moderna com seus dizeres:


"Fora de nós, onde está o tempo e onde está o espaço ? Se somos corpos, estamos envolvidos no tempo e no espaço, mas será que somos mesmo ? Somos Um e idêntico Agora, então, para sempre, aqui, ali, e em toda parte. Por conseguinte, nós, Seres sem tempo e sem espaço, estamos e somos Um Eu apenas, aqui e agora, e só."

Tinha um mestre zen chamado Huang Po, que dizia algo bem semelhante: "O tempo sem pricípio e o momento presente são o mesmo... Temos apenas de compreender que o tempo não tem existência real".

SAMBODH NASEEB

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

RUMI


Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.


Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.


Rumi

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

AQUI-AGORA-MOMENTO-PRESENTE


Meditação é aprender
a celebrar a vida
sem ensaios.


Nattaniel Naseeb

A TESTEMUNHA




Percebo que há duas formas de expandir a presença, a testemunha...
Uma delas é viver com um mestre iluminado, onde a energia e a egrégora formada pela comunidade exerce influência energeticamente sobre todos.
A outra é praticar um caminho de autoconhecimento que promova uma mudança na energia, um trabalho que começa no corpo e termina na testemunha da mente, culminando no percebimento da Testemunha pela Testemunha, na iluminação. Como Osho disse, que comecemos a Testemunhar primeiro nossos corpos, nossos modos físicos de caminhar, pegar a xícara do café, enfim, sentir o corpo.
Depois aos poucos vamos para os pensamentos, e passamos a observar nossos pensamentos, como se fôssemos outra pessoa observando, sem avaliar ou julgar.
Então só mais tarde o mundo dos sentimentos...
A consequência disso é nascer o quarto estado: a TESTEMUNHA. Portanto, o estado natural da Testemunha, para Osho, é um processo que começa no corpo, na desprogramação de nosso passado e no nascimento da criatividade no presente, resgatando o poder natural de ser você mesmo. E o trabalho corpo/mente deve ir criando uma base emocional para sustentar o desenvolvimento e expansão da consciência, através do aprofundamento da meditação como um estado interior profundo de silêncio e paz. Para Osho, Terapia e Meditação são duas asas de um mesmo processo. O primeiro de limpeza dos primeiros chacras e o abrir do coração. Como fechamos o coração para não sentir dor, deixamos de sentir amor, pois amor e dor são não duais. Ou seja, abrir o coração para Si mesmo. Então, mais tarde, a Meditação pode acontecer naturalmente. E a Meditação nasce naturalmente quando estamos vivendo a vida com consciência, simplicidade e clareza. Meditação é uma sombra de estarmos vivendo realmente de acordo com nossa essência. O que significa honrar a nós mesmos como já somos AGORA!

Nattaniel Naseeb

AUXÍLIO


'Eu necessito de ajuda' é a frase chave aqui. É sábio buscar auxílio, até que você vá além da necessidade do auxílio. Não a arrogância que diz 'Não há' ningúem a ser ajudado, nenhum 'eu',nenhum 'você'...

Mooji

BUDA DISSE:




Na forma gráfica da apresentação dos ensinamentos da roda da vida, avydia [dualidade] tem por símbolo a imagem de um cego. O cego surge porque, quando uma forma de reconhecimento da realidade se oferece através do processo de avydia, cessa naquele momento todas as outras formas de experimentar a realidade.

Ou seja, ficamos cegos justamente por ver. Quando vemos algo, o fazemos sob certas condições; por aceitar essas condições, excluímos outras possibilidades, ficamos cegos, aprisionados a visões limitadas, sem perceber que isso está ocorrendo.

[...] Ver de forma dual é cegar-se. No Surangama Sutra o Buda diz: “Quando abre os olhos e tem a experiência de ver um mundo circundante, você é um cego contemplando a névoa de sua mente”.

Padma Samten, em “A Jóia dos Desejos”.

FALTA DE TOTALIDADE


[...] O problema não está na dualidade em si; está no fato de que experimentamos a dualidade de uma maneira parcial e incompleta — nos identificamos com um lado e rejeitamos ou nos agarramos ao outro.

“Mas se estivermos completamente em contato com esses sentimentos dualistas, a experiência absoluta de dualidade é ela própria a experiência da não-dualidade. Então não há problema algum, porque a dualidade é vista a partir de um ponto de vista perfeitamente claro e aberto no qual não existe conflito; existe uma visão tremendamente abrangente da unidade.”*

Ou como está dito em “Autoliberação através da visão nua”*:

Aparências não são enganosas, o erro vem através do apego.
Conhecendo o pensamento de apego como mente, ele é autoliberado.

Ao aprender a ver o mundo dessa maneira, podemos experimentar a dualidade como ela realmente é, plena e completamente, de tal forma que é transformada na totalidade toda abrangente do estado desperto. [...]

Livro Tibetano dos Mortos

NÃO DUAL


Discípulo:Novamente, Mahamati, o que significa não-dualidade?
Buda Shakyamuni: Significa que luz e sombra, grande e pequeno, preto e branco, são termos relativos, e não são independentes uns dos outros.

Assim como Nirvana e Samsara, todas as coisas são não-duais. Não há Nirvana exceto onde há Samsara; não há Samsara exceto onde há Nirvana; porque a condição da existência não tem caráter mutualmente exclusivo.

Assim, é dito que todas as coisas são não-duais, como Nirvana e Samsara. Por essa razão, Mahamati, você deve se disciplinar na realização da vacuidade, na natureza de não-nascimento, não-dualidade e não-eu.

Então, nesse momento, o Abençoado recitou esses dois versos:

137. Sempre ensinei a vacuidade que está além do eternalismo e do niilismo; o Samsara é como um sonho, uma visão, mas o karma não desaparece.

138. Espaço, Nirvana e as duas formas de cessação — assim o ignorante discrimina as coisas que não produzem efeito, mas o sábio se mantém acima de ser e não-ser.

Buda Shakyamuni (Índia, séc. VI a.C.)
Lankavatara Sutra, cap. 2 | XXVII

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

UM APELO AO AMOR


A melhor forma de destroçar a um ser humano é destruir a espontaneidade de seu amor.
Se um ser humano tiver amor, não poderá haver nações; as nações existem graças ao
ódio. Os índios odeiam aos paquistaneses, os paquistaneses odeiam aos índios... só
assim podem existir os dois países. Se aparecer o amor, desaparecerão as fronteiras. Se aparecer o amor, desaparecerão as religiões. Se aparecer o amor, quem será católico e quem será judeu? Se aparecer o amor, desaparecerão as religiões.
Se aparecer o amor, quem irá ao templo? Para que? Está procurando Deus porque não
tem amor. Porque não está em paz, porque não está em êxtase, por isso está procurando Deus, se não, a quem lhe interessa? A quem lhe importa ? Se sua vida for um baile, já tem descoberto tudo. O coração amoroso está cheio de divindade.
Não é necessário procurar, não é necessário rezar, não é necessário ir ao templo ou a um sacerdote. Portanto, os sacerdotes e os políticos, ambos, são os inimigos da humanidade. Estão conspirando, porque o político quer governar seu corpo, e o sacerdote quer governar seu espírito. E o segredo é o mesmo: destruir o amor.

OSHO

O CAMINHO DO CORAÇÃO




A palavra «coragem» é muito interessante. Provém da raiz latina, cor, que quer dizer
coração. A palavra coragem provém da raiz cor —cor quer dizer coração—, portanto,
ser corajoso significa viver com coração. Os covardes e só os covardes vivem com a
cabeça; estão atemorizados, rodeiam-se da segurança da razão. Atemorizados, fecham
todas as janelas e as portas e se escondem detrás.
O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver com
amor, com confiança; é entrar no desconhecido. É renunciar ao passado e permitir o
futuro. Coragem é entrar por caminhos perigosos. A vida é perigosa, e só os, covardes
podem evitar o perigo, mas então, já estarão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, vital, sempre se aventurará ao desconhecido. Ali encontrará perigos, mas se arriscará. O coração sempre está disposto a arriscar-se, ao coração gosta de apostar. A cabeça é um homem de negócios. A cabeça sempre faz cálculos, é ardilosa. O coração não é calculador.
A palavra inglesa courage é muito bonita, muito interessante. Viver através do coração é descobrir o significado. O poeta vive através do coração e, pouco a pouco, começa a sentir em seu coração os sons do desconhecido. A cabeça não pode escutá-los, está muito longe do desconhecido. A cabeça está cheia do conhecido.
O que é sua mente? É tudo o que conheceste. É o passado, o que morreu, o que se foi. A mente não é mais que passado acumulado, memória. O coração é futuro; o coração é
esperança, o coração sempre está em algum lugar do futuro. A cabeça pensa no passado,
o coração sonha com o futuro.
O futuro está por vir. O futuro ainda não existe. O futuro ainda tem uma possibilidade, chegará, já está chegando. Em cada momento, o futuro se converte em presente e o presente se converte em passado. O passado não tem nenhuma oportunidade, já foi utilizado. Já te afastaste que ele, extinguiu-se, está morto, é como uma tumba. O futuro é como uma semente; está por vir, sempre está por vir, sempre chega e se encontra com o presente. Sempre está trocando. O presente não é mais que uma mudança para o futuro. É o passo que já deste; é ir para o futuro.

OSHO

CORAGEM!


Quando a morte chama a sua porta, todas suas convicções não serão mais que absurdas
adivinhações. Não aferre a nenhuma convicção. A vida é incerta, a mesma natureza da
vida é a incerteza. E a pessoa inteligente sempre está insegura.
A própria disposição de manter-se na incerteza é coragem. Esta disposição de estar na
incerteza é confiança. Uma pessoa inteligente é aquela que permanece alerta em
qualquer situação, que responde às situações com todo seu coração. Não é que saiba o
que vai ocorrer; não é que saiba, «se fizer isto acontecerá aquilo». A vida não é uma
ciência; não é uma cadeia de causa e efeito. Quando esquenta água até os 100 'C, se
evapora, isso está garantido. Mas na vida real, não há nada tão seguro como isso.
Cada indivíduo é uma liberdade, uma liberdade desconhecida. É impossível predizê-lo,
impossível imaginar-lhe Terá que viver estando acordados e com compreensão.
Vem para ver-me em busca de conhecimento, quer fórmulas fixas para poder te aferrar a
elas. Eu não lhe dou isso. Em realidade, se tiver alguma, você a Quito! Pouco a pouco,vou destruindo suas convicções e, pouco a pouco, vou voltando cada vez mais indeciso;pouco a pouco vou voltando mais inseguro. Isso é quão único terá que fazer. Isto é quão único tem que fazer um professor! te deixar completamente livre. Totalmente livre, com todas as possibilidades abertas, sem nada fixo... terá que estar acordado, não pode fazer nada mais.

OSHO

SÓ IDIOTAS!


Há duas possibilidades. Ou fecha os olhos e te volta dogmático: católico, hinduista ou muçulmano... então, converte-te em uma avestruz. Isso não troca sua vida, simplesmente te tampa os olhos. Volta-te estúpido, volta-te pouco inteligente.
Com sua pouca inteligência se sente seguro; todos os idiotas se sentem seguros. De fato, só os idiotas se sentem seguros. Um homem realmente vivo sempre se sentirá inseguro. Que segurança pode ter?

OSHO

INSEGURANÇA & RISCO


Não estou aqui para te dar um dogma. Um dogma te dá segurança. Não estou aqui para
te fazer uma promessa para o futuro, qualquer promessa para o futuro te dá segurança.
Simplesmente estou aqui para que esteja acordado e seja consciente, quer dizer, para
que esteja aqui e agora com toda a insegurança que tem a vida, com toda a incerteza que tem a vida, com todo o perigo que tem a vida.
Sei que vieste aqui procurando certezas, credos, algum «ismo», algum sitio ao que
pertencer, alguém em quem confiar. Vem aqui a conseqüência de seu medo. Está
procurando uma espécie de formosa prisão para poder viver sem consciência.
Eu gostaria de te dar mais insegurança, mais incerteza, porque a vida é assim, Deus é
assim. A única forma de responder quando há mais insegurança e perigo é com consciência.

OSHO

DROGAS PARA ANESTESIAR


Não só estão as drogas e o álcool: a religião também se utilizou a modo de
ópio. Deixa às pessoas drogadas. E naturalmente, todas as religiões estão contra as
drogas, porque elas mesmas se dedicam ao mesmo negócio; estão contra os competidores. Se a gente tomar ópio, pode que deixe de ser religiosa; pode que já não
tenha necessidade de ser religiosa. Se já encontraram o ópio, por que teriam que
incomodar-se com a religião? E o ópio é mais barato, exige menos compromisso. Se
a gente tomar maconha, LSD e outras drogas mais sofisticadas, é natural que não seja
religiosa, porque a religião é uma droga muito primitiva. Por isso todas as religiões
estão contra as drogas.
A razão não é que estejam verdadeiramente contra as drogas. A razão é que as
drogas são competidores e, é obvio, se se pode impedir que a gente use drogas será
mais fácil que caiam nas armadilhas dos sacerdotes, porque essa é a única saída que
fica. É uma espécie de monopólio: no mercado só fica seu ópio e todo o resto se
declara ilegal.
A gente vive sumida no sofrimento. Somente existem duas maneiras de sair dele: a
primeira consiste em converter-se em meditador: alerta, acordado, consciente... e isso é algo muito difícil. Necessita-se coragem. A maneira mais comum consiste em
encontrar algo que te possa deixar ainda mais inconsciente do que já está, para que
não possa sentir o sofrimento. Encontra algo que te deixe totalmente insensível, algo
que te intoxique, algum anestésico que te deixe tão inconsciente que possa escapar a
essa inconsciência e esquecer todas suas ansiedades, angústias e sem sentidos.

OSHO

PRECISO RENUNCIAR?


Jamais uso a palavra renuncia. O que digo é: goza da vida, do amor, da
meditação, das belezas do mundo, do êxtase da existência... goza de tudo!
Transforma o mundano em sagrado. Transforma esta arremata na outra borda,
transforma a terra no paraíso.
E entretanto, indiretamente, começa a produzir uma certa renúncia. Mas é uma
coisa que ocorre, não o faz você. Não é algo que faz, é algo que ocorre. Começa a
renunciar a suas tolices, começa a renunciar ao lixo. Começa a renunciar às relações
insensatas. Começa a renunciar a trabalhos que não satisfazem seu ser. Começa a
renunciar a lugares nos que não era possível o crescimento. Mas eu a isso não o
chamo renúncia. Chamo-o entendimento, consciência.
Se levar pedras na mão acreditando que são diamantes, eu não te direi que
renuncie a: Essas pedras. Limitarei-me a te dizer: «Manten alerta e joga outro olhar.»
Se você mesmo vir que não são diamantes, que necessidade tem que renunciar a elas?
Cairão de suas mãos por si mesmos. De fato, se quer seguir as levando terá que fazer
um grande esforço, terá que aplicar muita vontade para seguir as levando. Mas não
poderá as levar muito tempo; assim que tenha visto que são inúteis, que não valem
nada, terá vontades das atirar.

OSHO

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

AGORA OU NUNCA!


O valor de qualquer discernimento, compreensão, ou de realização só pode estar na presença cada vez mais fresca do momento.

Realização de ontem não é um pouco de bom. Agora ele está morto. Agora ele perdeu a vitalidade.

É inútil tentar e agarrar-se ou agarrar um insight, uma compreensão, ou uma realização, pois somente em seu movimento pode haver a habilitação de idéias sempre frescas e novas Verdade ou Realidade aparecer.

A idéia de iluminação ou auto-realização como um evento único ou um estado duradouro e permanente ou a experiência é um conceito errôneo.

Entendimento ou conhecimento está vivo no imediatismo que nunca pode ser negado. A ênfase está na atividade de SABER O que está acontecendo como no imediatismo agora - não no conceito morto 'eu entendo' ou 'eu sei' ".

SAILOR BOB

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

BATIDA BEAT


Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.

jACK kEROUAC

FANATISMO


Um homem que conhece a si mesmo jamais é fanático, jamais é sectário; nunca
fica obcecado por uma teoria. Nunca proclama que só ele é verdadeiro, pois quando se
conhece a verdade, sabe-se que ela é multifacetada e que existem milhares de maneiras
de se olhar para ela. E sempre que alguém se aproxima, tudo o que vê é individual. Nunca
foi daquela maneira antes, e jamais será igual — porque esse indivíduo nunca esteve lá
antes e esse indivíduo é total-mente único. Portanto, cada visão, cada encontro com a
verdade é único. Não pode ser comparado.
Um homem que se conheceu passa a saber que existem milhões de caminhos e são
milhares as faces da verdade. Como pode ser fanático? Como pode dizer: "Somente a
minha verdade é verdadeira, somente o meu deus é Deus; o seu deus é falso"? Essa é a
linguagem daqueles cujas verdades são emprestadas. Vê-se milhares de pessoas religiosas
por todo o mundo proclamando a verdade. Elas não chegaram a conhecer, não buscaram
por si mesmas, senão, como não entenderiam isso? Como poderiam não entender a
experiência multifacetada, o fenômeno da verdade? Como poderiam dizer: "Somente a
minha verdade é a verdade", porque quando alguém chega a conhecer que não existe
nenhum 'eu', como pode reivindicar isso? Como o é possível o fanatismo?

Osho

HERÁCLITO


Deus é dia e noite, inverno e verão,
guerra e paz, saciedade e desejo.
A água do mar é muito pura e,
ao mesmo tempo, muito suja:
é bebível e saudável para os peixes,
mas imbebível e mortal para os homens.
A natureza do dia e da noite é uma só.
A subida e a descida são uma e a mesma.
Mesmo os que estão adormecidos trabalham e
colaboram com o que acontece no universo.
No círculo,
o princípio e o fim são comuns.
HERÁCLITO

ÚNICA SABEDORIA

E então Heráclito diz: "Conhece-te a ti mesmo", porque essa é a única sabedoria.
Você tem medo de sair do seu lugar enfeitado, porque bem perto dele está o vulcão —
entrará em erupção a qualquer momento. Assim, as pessoas falam sobre o
autoconhecimento, discutem a respeito, escrevem sobre ele, criam sistemas, mas nunca o
experimentam. Mesmo os que estão sempre falando em conhecer o ser, falam apenas
nisso, argumentam a respeito, discutem, mas nunca o experimentam na realidade efetiva.
E o auto-conhecimento é uma experiência existencial, não uma teoria. Teorias não
funcionarão. Teorias também serão apenas parte da sua decoração. Elas não quebrarão o
gelo. Elas não romperão a periferia. Não o levarão para o centro.

Osho

RESPEITABILIDADE


Essas pessoas tidas como reconhecidas, honradas, estão cheias de lixo e de nada mais. Mas elas estão cheias do lixo que a sociedade quer que elas estejam repletas – e a sociedade as compensa lhes dando premiações.
Qualquer homem, que tem algum senso de sua individualidade, vive pelo seu próprio amor, pelo seu próprio trabalho, sem se preocupar com o que os outros pensam a respeito. Quanto mais valioso for o seu trabalho, menor será a chance de obter alguma respeitabilidade para com ele. E se o seu trabalho for o trabalho de um gênio, então você não verá nenhum respeito enquanto viver. Você será condenado enquanto viver... Depois de dois ou três séculos, erguerão estátuas para você, os seus livros serão respeitados – porque demora quase dois ou três séculos para a humanidade compreender o tamanho da inteligência que um gênio tem hoje. O espaço de tempo é grande.
Sendo respeitado por idiotas, você terá que se comportar de acordo com suas maneiras e expectativas. Para ser respeitado por essa humanidade doente, você terá que ser mais doente que ela. Então eles irão respeitá-lo. Mas, o que você irá ganhar? Você perderá a sua alma e nada ganhará."

OSHO – Beyond Psychology - Cap. 32 – Pergunta 1
Tradução: Sw. Bodhi Champak

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O SER REALIZADO




O sentimento “eu não realizei” é o obstáculo à Realização. Na verdade já há a Realização. Não há nada mais a ser realizado. Se houvesse, a realização seria algo novo que não existia antes, mas que acontecerá em algum momento no futuro; mas tudo o que surge também desaparece. Se a Realização fosse algo assim não seria eterna e, sendo transitória, não valeria a pena ser buscada. Portanto, o que nós buscamos não é algo que vai começar a existir, mas sim aquilo que existe eternamente mas que está velado por nossas obstruções mentais. Tudo o que precisamos fazer é remover a obstrução.

Não existe o “realizar o Ser”. Como é possível real-izar, ou “tornar real”, aquilo que já é real? As pessoas “realizam”, ou encaram como real, o que é irreal, e tudo o que precisam é desistir de fazer isso. Quando você fizer isso você permanecerá como [realmente] é e sempre foi, e o Real será Real. Todas as religiões e suas práticas surgiram apenas para ajudar as pessoas a desistirem de ver o irreal como real.

ramana maharshi

A BARRIGA DA MENTE


A barriga da mente nunca está cheia.
Ele [Ramana] diz que, quando você tem um desejo,
digamos que tenha um desejo por um objeto…
E é um desejo forte, então existe um foco muito forte nisso.
Mesmo quando você está falando sobre outras coisas,
com outras pessoas, isso ainda está em algum lugar
dentro de você. Uma parte de sua atenção
está focada no objeto desejado.

Algumas vezes até suas interações com outras
pessoas são apenas uma forma de alcançar isso,
porque você sente que quando obtiver isso
sentirá uma felicidade tremenda.

Mas enquanto você não tem,
existe uma inquietude em você.
Você nunca vê o presente,
porque está dividido por dentro.
E uma parte da sua atenção está com algo
que deseja ter.
Então você só está presente parcialmente.

Ouça o que Ramana diz.
Ele diz que não existe amor nisso.
Não existe satisfação nisso.
É apenas um objeto.
Mas você imagina que terá um tremendo prazer

obtendo este objeto. E o seu desejo de ter isso
está na verdade lhe molestando.

Um dia eu venho e lhe dou esse objeto.
E, naquele momento: “ahhh”, você está em êxtase!
Tanta alegria! Tanta plenitude!
Mas isso não está lhe dando nada….

Ele diz que, na verdade, o que está acontecendo
é que no momento que você recebe o objeto
a sua agitação e inquietude param

e você desfruta o estar livre dessa agitação.
E isso você interpreta como o prazer vindo do objeto…
O prazer vem de você. O apego vem de você. A paz vem de você.

Nós podemos estar fazendo isso com muitas coisas no mundo.
Imaginando que um certo estado, certo objeto,
certo relacionamento irá nos preencher.
Mesmo agora, muitas vezes, nós estamos vivendo
no prazer de “preces respondidas”.

Mas então, elas já não são mais, o apetite se foi.
Existem sempre apetites novos.
A barriga da mente nunca está cheia.

- Mooji

O QUE É UM TERAPEUTA?


“O que é um terapeuta? É sempre atual colocar-se a pergunta e, neste domínio como em muitos outros, voltar às fontes, às origens, não somente à etimologia do termo, mas à prática implicada por este termo. Para os Terapeutas “o objeto obscuro de nosso desejo” seria o próprio Ser. Sem este objetivo ele se perde, se dispersa e sofre. A infelicidade do homem, a causa de todas as doenças, dirão mais tarde os Padres do deserto, é esquecer o ser. O sofrimento é recalcar esse desejo essencial do Ser. Reorientar o desejo, torna-lo “a memória bem-aventurada do Ser”, faze-lo voltar do “esquecimento”, é dar-lhe o sabor do Real absoluto, presente em todas as realidades relativas, o que lhe permitirá não adorar e não desprezar nenhuma. Não adorar nada, pois toda realidade, relativa por definição, não é absoluta; não desprezar nada, pois toda realidade, relativa pelo próprio fato de sua existência, participa da Única Fonte de todo Real. Nem desprezo nem idolatria, este seria o começo de uma atitude justa com respeito ao mundo e o que nele habita, quando o desejo é “orientado” ou “polarizado” para a própria Fonte de tudo o que vive e respira.”

(Cuidar do ser – trecho)

Jean Yves Leloup