sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

WORKSHOP EM VITÓRIA


LIBERDADE?



Infelizmente muitos chamam de liberdade obedecer a todos os impulsos que afloram do subconsciente, ainda que contradigam a virtude e a lucidez. Isso chama-se "viver reativo". Ou escravidão.

ARTE & MANHAS


As artimanhas do ego são incríveis. Ele sai do caminho de ambicionar poder no mundo para querer poder no espírito. Algumas pessoas transferem seus desejos, do mundo para o espiritual, como se desejos espirituais fossem desejos "melhores". Agora não mais ambição por dinheiro, mas ambição por iluminação, por Deus.
Trungpa Rinpoche chamava isso de "materialismo espiritual". Se você estiver maduro, permita que as coisas não dêem certo, que as coisas não se resolvam, que as coisas mudem, que a frustração aconteça. Investigue: "Quem quer que as coisas dêem sempre certo?" "O que é dar certo?" Em resumo: a profunda espiritualidade é uma derradeira entrega daquele que se imagina no controle. Não é um caminho pessoal, em verdade. É um olhar singelo e repousado, manso e terno, naquele espaço que você em essência é, que neste momento já está bem e em paz.
Sim, há um ponto no caminho em que fazem parte as aquisições, os ganhos, os desejos de conquista. Você é ensinado a ganhar, a comprar, a ter, a acumular. Tudo isso fortalece o senso de existir. Osho dizia: "Quero que vocês desfrutem tudo conscientemente, para que percebam sua futilidade mais cedo ou mais tarde".
Há muitos que se tornam maduros para começar a perceber o truque do mestre. Chega um tempo em que os desejos pessoais terão de ser apenas observados, testemunhados. A mente quer. Você observa. A mente deseja, você testemunha.
A unidade se manifesta em uma diversidade de graus de compreensão. Mas o que dá suporte a todas as compreensões? de onde nascem as compreensões? O que dá suporte a todos os caminhos? O que tem consciência de todos os caminhos? Isto, que sabe dos caminhos, é um caminho?
Se você olha pra dentro, desaparece, assim como todos os caminhos. E nesse desaparecimento de você, a necessidade de controle estará ausente.
Toda a caminhada se resume em Ser. E o mais interessante é que Ser não está no tempo. Não iremos nos transformar no Ser. Ser não está no tempo! Ser já é Agora. Você já é! Já uma Presença! A pessoa está no tempo, é produto do tempo. Mas o Ser é Presença Atemporal.
Na meditação, se você quer conhecer o Ser, você simplesmente tem que perceber que você é o Ser. Isto é o que você é. E isto já é Agora. Tudo o mais é fruto do pensamento. E é o pensamento que coloca o Ser no futuro.
Nessa ausência de busca, em meio segundo, o AMOR celebra. Quando naturalmente não houver busca compulsiva por ser amado, você se torna o AMOR. Mas isso não pode ser forçado, porque isso não depende de você-ego. Acontece quando há maturidade. Pela observação daquele que implora por amor, a revelação daquilo onde nada falta emerge.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

VASTIDÃO


Dê uma caminhada pela cidade e reconheça tudo que você vê como o vazio apresentando-se como Ser. Reconheça as pessoas, os animais, os prédios, os sons, as texturas, sons, beleza, como o vazio projetado como Ser, Vida, Plenitude, Bênção. Volte para casa e continue a sentir gratidão por tudo que existe. Tudo vem da mesma fonte. Tudo é o vazio aparecendo como maravilhoso. Tudo é o vazio que, através do pensamento, toma formas e nomes. Reconheça a sua intimidade com tudo. Seu corpo é vazio. Seus pensamentos também. Sinta-se nessa vastidão. Você é isso.

Sambodh Naseeb

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

TEMPO DE MORRER


Ikkyu, um mestre zen, era muito inteligente até quando era apenas um menino. O seu instrutor possuía uma preciosa xícara de chá, uma peça antiga e rara. Ikkyu acabou quebrando essa xícara e ficou completamente perplexo. Ouvindo os passos de seu instrutor, ele segurou os pedaços da xícara atrás de si. Quando o mestre apareceu, Ikkyu perguntou:
-Mestre, por que as pessoas têm de morrer?- Isto é natural...- explicou o homem mais velho - Tudo tem de morrer e tem um tempo determinado para viver.
Ikkyu, mostrando a xícara despedaçada, acrescentou:
- Era tempo de sua xícara morrer.

CERTO E ERRADO

Quando Bankei realizava semanas de retiro de meditação, estudantes de muitas partes do Japão compareciam. Durante um desses encontros um estudante foi pego de surpresa roubando. O assunto foi relatado a Bankei com a solicitação de que o estudante fosse expulso. Bankei ignorou o caso. Mais tarde o estudante foi pego em um ato semelhante, e mais uma vez Bankei desconsiderou a questão. Isto irritou os outros estudantes, que redigiram uma petição pedindo o afastamento do ladrão, afirmando que caso contrário eles iriam embora do grupo. Quando Bankei leu o pedido, convocou todos para comparecer à sua presença.
-Vocês são sábios.- disse ele - Vocês sabem o que é certo e o que é errado. Vocês podem ir para algum outro lugar para estudar se quiserem, mas este pobre irmão não sabe nem mesmo distinguir o certo do errado. Quem lhe ensinará seu eu não o fizer? Vou mantê-lo aqui mesmo que todos vocês partam.
Uma torrente de lágrimas limpou o rosto do irmão que tinha roubado. Todo o desejo de roubar havia desaparecido.

DEUS




Buda estava reunido com seus discípulos certa manhã, quando um homem se aproximou: 
- Existe Deus? - perguntou. 
- Existe - respondeu Buda. 
Depois do almoço, aproximou-se outro homem. 
- Existe Deus? - quis saber. 
- Não, não existe - disse Buda. 
No final da tarde, um terceiro homem fez a mesma pergunta: 
- Existe Deus? 
- Você terá que decidir - respondeu Buda. 
Assim que o homem foi embora, um discípulo comentou, revoltado: 
- Mestre, que absurdo! Como o Senhor dá respostas diferentes para a mesma pergunta? 
- Porque são pessoas diferentes, e cada uma chegará a Deus por seu próprio caminho. O primeiro acreditará em minha palavra. O segundo fará tudo para provar que eu estou errado. E o terceiro só acredita naquilo que é capaz de escolher por si mesmo.