domingo, 30 de novembro de 2008

TRUQUES DOS MESTRES


Existem duas posturas de mestres para indicar exatamente isto, que a iluminação vem por si mesma, quando vier. Uma postura é de dizer que não há iluminação, para que o discípulo relaxe e não mais se preocupe com isso. A segunda é dizer que você já é iluminado. As duas são mentiras, mas mentiras que servem como estratagema para o discípulo não encrencar com coisas desnecessárias no caminho. Pensar em iluminação é totalmente desprovido de valor. O amor é aqui-agora. A abertura para o amor é tudo. Amizade com tudo que estiver em volta.

SAMBODH NASEEB

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

MÉRITOS DA MEDITAÇÃO


A meditação vai proporcionar o que? A estabilidade.Aquilo que nós chamamos de pensar, vaguear mentalmente é essencialmente isso; a gente contempla um objeto, esse objeto manifesta os cinco skandas e na seqüência nós temos um passear por objetos tendo essas energias por foco. Assim vamos girando na roda da vida. De um modo geral isso é a nossa ocupação mental. Então, na meditação, o primeiro ponto é a tranqüilização, se não a desenvolvermos vamos simplesmente sair pensando, nem é preciso sentar, a mente fica pensando e agindo. Pensar e agir é girar a roda da vida, é o que estamos fazendo por vidas e vidas, desde tempos sem início.Olhando dessa maneira, vamos entender a que o Buda se refere com a expressão "escuridão dos sentidos". É uma experiência muito importante mas gravíssima porque quando abrimos os olhos estamos imersos na escuridão dos sentidos e não nos damos conta.
Para nós a escuridão é falta de luz, se quando abrimos os olhos temos luz, porque chamamos de escuridão? É escuridão porque existem os impulsos sensoriais – visuais, gustativos, olfativos, tácteis, ou auditivos – sejam quais forem, que nos conectam aos pensamentos e nos fazem seguir sempre presos em um processo que obstrui a clareza ou liberdade da mente. O Buda diz que quando interromper isso a pessoa abre os olhos e é como alguém que realmente abriu os olhos e se move com uma clareza nunca experimentada. Antes disso tudo o que nós podemos pensar durante uma vida inteira está inteiramente limitado às associações cármicas às marcas mentais. Assim, vamos de uma marca para outra, em um movimento sempre presos a este processo, sem esperança de liberação.

LAMA SAMTEN

terça-feira, 18 de novembro de 2008

NÃO SE JULGUE!


A primeira coisa é esta: não se julgue. Aceite humildemente sua imperfeição, seus fracassos, seus erros, suas faltas. Não há nenhuma necessidade de fingir outra coisa. Seja você mesmo: “É assim mesmo que eu sou, cheio de medo. Eu não posso andar na noite escura, não posso ir lá na densa floresta.”. O que há de errado nisso? - é humano.
Uma vez que você se aceite, você será capaz de aceitar os outros, porque você terá um clara visão interior de que eles estão sofrendo da mesma doença. E a sua aceitação deles, os ajudará a aceitarem-se.
Nós podemos reverter todo o processo: aceite-se. Isso o torna capaz de aceitar os outros. E porque alguém os aceita, eles aprendem a beleza da aceitação pela primeira vez - quanta tranqülidade se sente! - e eles começam a aceitar os outros.
Se a humanidade inteira chegar ao ponto onde todo mundo é aceito como é, quase noventa por cento da infelicidade simplesmente desaparecerá - ela não tem fundamentos - e os seus corações se abrirão por conta própria e o seu amor estará fluindo.
Neste exato momento, como você pode amar? Quando você vê tantos erros, tantas fraquezas... - como você pode amar? Você quer alguém perfeito. Ninguém é perfeito, assim, você tem de aceitar um estado de não-amor, ou aceitar que não importa se alguém não é perfeito. O amor pode ser compartilhado, compartilhado com todas as espécies de pessoas. Não faça exigências.
O julgamento é feio - ele fere as pessoas. Por um lado, você vai machucando, ferindo-as; e por outro lado, você quer o amor delas, seu respeito. Isso é impossível.
Ame-as, aceite-as e, talvez, seu amor e respeito possa ajudá-las a mudar muitas de suas fraquezas, muitas de suas falhas - porque o amor lhes dará uma nova energia, um novo significado, uma nova força. O amor lhes dará novas raízes para se erguerem contra os ventos fortes, um sol quente, a chuva forte.
Se apenas uma única pessoa o ama, isso o faz tão forte, que você nem pode imaginar. Mas, se ninguém o ama neste vasto mundo, você fica simplesmente isolado; então, você pensa que é livre, mas você está vivendo numa cela isolada em uma cadeia. É que a cela isolada é invisível; você a carrega consigo.
O coração abrirá por si mesmo. Não se preocupe com o coração. Faça o trabalho preparatório.


OSHO

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O CAMINHO


"Quando olho para dentro, sei que não sou nada - e isso é sabedoria; quando olho para fora, sei que sou tudo - e isso é compaixão."
"O Grande Caminho não é difícil para os que não têm preferências.”


Terceiro patriarca

ZEN BUDISMO


O Zen é um ramo do budismo que se desenvolveu na China (aí conhecido por Chan) e faz parte de uma antiga tradição com 2.500 anos fundada por Siddharttha Gotama. Este viria a ser conhecido por Buda, que significa simplesmente o “desperto”, e que viveu e morreu como um ser humano e não como um deus objecto de veneração. O Chan irradiou da China para a Coreia (aí conhecido por Son), para o Japão (por Zen) e para o Vietname (por Thien). Nos últimos quarenta anos, aproximadamente, criou raízes em muitos outros países.
Embora a escola Zen se conforme em todos os aspectos aos ensinamentos tradicionais budistas, possui, no entanto, uma espontaneidade que desafia a ortodoxia espiritual tradicional. O Zen é uma prática de transformação dos processos mentais pela atenção dada ao presente. Pratica-se em todas as circunstâncias, no acto de mudar o babete a uma criança, numa reunião de trabalho com colegas, num engarrafamento, a cortar legumes para o jantar, ou sentado no topo de uma remota montanha.(texto cortesia de Open Way Zen, traduzido por José Eduardo Reis)

PRÁTICA DA MEDITAÇÃO


A prática da meditação leva-nos a fazer uma descoberta extraordinária: fomos e sempre seremos a Mente de Buda não-nascida. E quando vemos as coisas na perspectiva dessa Mente, experienciamos a mais profunda verdade, a realidade absoluta. Compreendemos que a mente não é nada mais do que a Mente de Buda não-nascida. Não há nada para procurar, nada a ganhar. Mas perceber isto de uma forma intelectual não chega. O contentamento só virá ao termos a experiência da nossa completude, da nossa totalidade, e isto significa que cada um tem de realizar a verdade directamente. Se eu vos disser que sois completos e unos e simplesmente aceitardes isto, nunca compreendereis por vocês mesmos a vossa unidade intrínseca. A nossa própria pobreza não pode ser aliviada ao avaliar-nos um tesouro que pertence a outrem.
Na experiência de não dualidade, vemos com os nossos próprios olhos que todos os opostos são um. Podemos chamar-lhe mente ou não-mente, eu ou não-eu, Dharma ou Iluminação, mas a experiência é sempre a mesma. Esta é a única verdade a ser ensinada, por isso ao ouvirem a mesma coisa durante anos podem ficar como que adormecidos ou desatentos. Uma forma de dar lugar a novas percepções é usar vários opostos e verificar onde ficamos bloqueados.


GENPO ROSHI

KEN WILBER


Sim, a prática concreta é baseada em algo assim: dada a Grande Cadeia do Ser – que vai da matéria para o corpo, para a mente, para a alma, para o espírito – como podemos reconhecer, honrar e exercitar todos esses níveis em nosso próprio ser? E se o conseguirmos – se nos engajarmos em todos os níveis do nosso potencial – isso não nos facilitará relembrar a Fonte do grande Jogo da Vida, que não é outra senão nosso próprio Eu profundo (Self)? Se o Espírito é a Essência e o Objetivo de todos esses níveis, e se, em verdade, somos Espírito, o engajamento sincero em todos esses níveis não nos ajudará relembrar quem e o que realmente somos?

Bem, essa é a teoria, que, acho, coloquei em palavras muito secas. Concretamente, a idéia é: escolha uma prática (ou práticas) de cada um desses níveis e engaje-se sinceramente em todas elas. Para o nível físico você pode incluir ioga física, levantamento de peso, vitaminas, nutrição, corrida, etc. Para o nível corpo/emocional você pode tentar sexualidade tântrica, terapia que ajude a contactar o lado sentimental do seu ser, bioenergética, etc. Para o nível mental, terapia cognitiva, terapia narrativa, terapia da fala, terapia psicodinâmica, etc. Para o nível da alma, meditação contemplativa, ioga da divindade, contemplação sutil, oração centralizadora e assim por diante. E para o nível do espírito, as práticas mais não-dualísticas como o Zen, Dzogchen, Advaita Vedanta, Kashmir Shaivismo, misticismo cristão informe, etc.

Hesito em fornecer uma lista porque, como você sabe, há, literalmente, milhares de práticas maravilhosas para todos esses níveis e eu me arrepio com a possibilidade de excluir alguma. Mas, por favor, focalize simplesmente a idéia básica: assuma uma ou mais práticas para cada um dos níveis do seu ser – matéria para corpo, para mente, para alma, para espírito – e exercite todas elas da melhor forma possível, individual e coletivamente. Não só você, simplesmente, passará a sentir-se melhor no nível mundano, como também aumentará dramaticamente suas chances de começar a entender seu próprio Estado radical, que é o próprio Espírito, sua mais profunda identidade e impulso.

P: Atualmente, há professores para este tipo de prática integral?

KW: Bem, infelizmente, nos dias de hoje, ainda não há muitos professores. Em parte, este tipo de prática integral é uma união do Ocidente com o Oriente, e eles foram apresentados um ao outro só recentemente. Mas há professores estupendos trabalhando com um ou mais níveis – e, assim, neste momento, você simplesmente tem que “escolher a roupa adequada” – ou escolher os melhores professores para cada um dos níveis. Encontre um bom exercício físico que o agrade, e um programa nutricional decente. Tente empenhar-se em uma boa prática psicoterapêutica – poderá ser simplesmente escrever seus sonhos ou fazer parte de um grupo de debate. Tente uma boa prática de meditação e preste um serviço comunitário. Não quero que isto pareça uma coisa terrivelmente fascista – mas tente, o melhor que puder, empenhar-se totalmente a fim de despertar totalmente.

P: Pelo menos há professores que estão buscando essa prática integral?

KW: Sim. Há alguns escritores que, hoje, estão enfatizando a importância de uma abordagem integral, e embora todos ainda estejam num nível muito preliminar, são um bom lugar para começar. Você pode tentar The Life We Are Given de Michael Murphy e George Leonard, What Really Matters de Tony Schwartz, Paths Beyond Ego de Roger Walsh e Frances Vaughan e o meu The Eye of Spirit.

Mas a idéia é muito simples: praticando somente em um nível, seu ser não se iluminará totalmente. Se simplesmente meditar, seu “lixo” psicodinâmico não irá automaticamente embora. Se você só meditar, seu emprego ou seu relacionamento com sua esposa não irão, automaticamente, melhorar. Por outro lado, se só fizer psicoterapia, não pense que sentir-se-á aliviado da carga da morte ou do medo. Dê a Freud o que é de Freud e a Buda o que é de Buda. E, acima de tudo, se dê completamente ao Divino, empenhando tudo o que você é.

Oh, puxa, está parecendo até um comercial dos Fuzileiros Navais: “Seja o melhor que puder”. Mas, realmente, o ponto é que, quanto mais dimensões de si próprio estiverem empenhadas na busca da Fonte deste maluco Jogo da Vida, mais provavelmente irá descobrir o fato excepcionalmente belo de que você, e somente você, é o Autor deste Jogo. E isto não é uma afirmação teórica; é a melhor oportunidade que temos para obter nossa passagem para Atenas.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

OSHO E RAMANA





O silêncio é a música da alma. E a meditação é a ponte
que torna isto possível. Quando a mente compreende sua natureza no silêncio, tudo é entendido.

O Zen não pode ser entendido nos livros, assim como também não pode a meditação, o amor, a graça.

Quando lembro de Ramana Maharshi, no mesmo instante a pergunta Quem Sou Eu revela o Observador/Testemunha. E quando há essa Testemunha, há brilho e luz nos atos, nas palavras, e no pensar.

Quando lembro de Osho me vem o Zen. Osho era um mestre zen não-ortodoxo, maravilhoso, exímio. E no Zen simplesmente o AGORA. Meditação é ISTO. Escrevendo, bebendo, comendo, caminhando. Meditação é simplesmente cada momento. Chorando, sorrindo, em qualquer momento a lembrança é AQUI. O ponto é AQUI. Neste AQUI, tudo converge.

SAMBODH NASEEB

DE PASSAGEM




Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito. Seu objetivo era visitar um famoso dervixe. Lá chegando, o turista ficou surpreso ao ver que o dervixe morava num quarto simples. As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.


- Onde estão os seus móveis? - perguntou o turista. E o dervixe, bem depressa, perguntou também:

- E onde estão os seus?

- Os meus? - perguntou o turista. Mas eu estou aqui só de passagem!

- Eu também! - disse o dervixe.

BRINCADEIRA CÓSMICA


KEN WILBER: Sim, exatamente, este é o problema. Você precisa de um “outro”. Assim, se você é o único Ser em toda a existência e você quer jogar – jogar qualquer tipo de jogo – você tem que assumir o papel do outro e depois esquecer que está jogando em ambos os lados. De outro modo, o jogo não seria divertido. Tem que fazer de conta que é o outro jogador com tal convicção a ponto de esquecer que está assumindo todos os papéis. Se você não esquece, não há jogo, não é divertido.

P: Assim, se quer jogar – penso que o termo oriental é lila – tem que esquecer quem você é. Amnésia.

KW: Acho que sim. E este é exatamente o cerne da resposta dada pelos místicos do mundo inteiro. Se você é o Um e – enfastiado da mais pura exuberância, plenitude, superabundância – quer jogar, alegrar-se, divertir-se, então, primeiro, deve manifestar o Muito e, segundo, esquecer-se que é o Muito. De outro modo, não há jogo. Criação (manifestação, encarnação) é o grande Jogo do Um fazendo de conta que é o Muito, por puro esporte e diversão.

P: Mas não é sempre divertido.

KW: Bem, sim e não. O mundo manifesto é um mundo de opostos – de prazer versus dor, acima versus abaixo, bem versus mal, sujeito versus objeto, luz versus sombra. Mas se você quer jogar o grande Jogo Cósmico, aquele que você mesmo criou, o que mais pode fazer? Se não há divisões, nem jogadores, nem sofrimento e nem Muito, então você simplesmente se mantém como o Um e Único, Solitário e Indiferente. Mas jantar sozinho não tem graça.

P: Assim, iniciar o jogo da criação é iniciar o mundo de sofrimento.

KW: Começa a ter sentido, não acha? E os místicos parecem concordar. Mas há uma saída para esse sofrimento, um caminho para livrar-se dos opostos, que envolve o entendimento direto e irresistível que o Espírito não é bem versus mal, ou prazer versus dor, ou luz versus escuridão, ou vida versus morte, ou todo versus parte, ou holístico versus analítico. O Espírito é o grande Jogador que dá origem a todos os opostos igualmente – “Eu, o Senhor, faço a Luz iluminar tanto o bom como o mau; Eu, o Senhor, faço todas as coisas” – e os místicos do mundo inteiro concordam. O Espírito não é a metade boa de todos os opostos, mas sim a essência de todos os opostos, e nossa “salvação”, por assim dizer, não está em encontrar a metade boa do dualismo e sim achar a Fonte de ambas as metades do dualismo, porque, em verdade, é isso que realmente somos. Somos ambos os lados no grande Jogo da Vida, porque – no mais fundo do nosso verdadeiro Eu – criamos ambos os opostos com o objetivo de jogarmos um grande jogo de damas cósmico.

KEN WILBER


Pathways (P): Por que o Espírito se preocupa em manifestar-se, especialmente quando essa manifestação é necessariamente dolorosa e requer que Ele se esqueça da Sua verdadeira identidade? Por que Deus encarna?

Ken Wilber (KW): Oh! Vejo que você está começando pelas perguntas fáceis. Bem, vou dar-lhe umas poucas respostas teóricas que têm sido oferecidas ao longo dos anos e depois relatarei minha experiência pessoal, tal como é.

Na verdade, fiz esta mesma pergunta a alguns mestres espirituais e um deles deu-me uma resposta rápida e clássica: “Jantar sozinho não tem graça.”

A princípio, esta resposta parece ser um pouco impertinente ou leviana, mas, à medida que se pensa sobre ela, cada vez mais começa a fazer sentido. O que aconteceria se, só por diversão, fizéssemos de conta – blasfematoriamente, você e eu fingíssemos por um momento – que somos Espírito, aquele Tat Tvam Asi [1]? Se você é Deus Todo-Poderoso, por que criaria um mundo? Um mundo que, como você bem salientou, é necessariamente de separação, desordem e dor. Por que você, que é Um, daria origem ao Muito?

P: Jantar sozinho não tem graça?

KW: Não começa a fazer sentido? Aqui está você, o Um e o Único, o Solitário e o Infinito. O que você vai fazer a seguir? Você se banha em sua própria glória por toda a eternidade, regozija-se com seu próprio encanto por eras e eras, e, depois, o que mais? Cedo ou tarde, você pode decidir que seria divertido – só divertido – fingir que você não é você. O que quero dizer é: o que mais você vai fazer? O que mais você pode fazer?

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

LAVANDO O ARROZ, LAVANDO O CORAÇÃO


Lavando o Arroz, Lavando o Coração.
Quando valorizamos o nosso trabalho, tudo fica simples e fácil. Se temos a atitude correta o trabalho é purificado. A manifestação da plenitude torna-se visível. Quando repetimos todos os dias o mesmo trabalho, começamos a trabalhar automaticamente, com o pensamento em outro lugar. Nada é simples. é preciso ter atenção no trabalho, porque ele é um reflexo de humanidade e consideração.
Vamos ver a situação de servir o chá. Como é explicado no “Nichijô Sahanji”, o ato de servir o chá está conectado à nossa vida diária. Embora existam vários tipos de chá, várias quantidades a serem servidas, diferentes horários, o sentimento de receber o chá é incalculável. É preciso se empenhar para realizar esta tarefa. Por outro lado, há situações em que este trabalho fica difícil. São necessárias várias tentativas e erros.
Isto é comum ao se lavar o arroz, embora este trabalho pareça simples. Medir a quantidade do arroz, colocar água, lavar os grãos parece fácil e monótono. Entretanto, se temos pressa, fica difícil lavar bem o arroz. Se não tomarmos cuidado, podemos deixar uma pequena sujeira passar ou o arroz pode acabar sendo jogado fora junto com a água. Depois de lavado, ajustamos o volume de água necessário para ele cozinhar. A quantidade de água influencia no gosto da comida. Devemos levar em conta a procedência dos ingredientes para poder fazer os ajustes. Se estes pontos forem esquecidos não será possível transmitir felicidade para a pessoa que recebe a comida.
Em outras palavras, o arroz possui vida. O mesmo valor tem os outros ingredientes, nada deve ser desperdiçado. Desta maneira o “tenzo” executa seu trabalho centralizado na pessoa que vai receber a comida. Não é porque o trabalho é simples que iremos trabalhar com negligência. Devemos ficar atentos não apenas com a sujeira, mas também com os grãos colados nela. Quando lavamos o arroz, devemos concentrar nosso coração-mente. Neste ponto, a unidade entre o trabalho e a pessoa se manifesta. Embora não exista a vontade de praticar, deve-se buscar este estado de unidade.
Se não existir esta relação entre a pessoa e o trabalho, quando jogarmos alguma coisa fora, ou quebrarmos algum objeto, não sentiremos nada. Mas se existir esta unidade, sentiremos dor se acontecer uma destas coisas. Chamamos de “etiqueta do arroz” o poder usar todo este potencial. Este tipo de coração é muito importante nesta época de abundância.
Lavar o arroz não é simplesmente lava-lo com água. A pessoa que lava deve checar o coração. O que faz deste trabalho uma prática budista é o esforço e a atitude empregados. Em todos os dias, nossa única preocupação, deveria ser guardar esta verdade dentro de nossos corações.


- adaptado de um artigo publicada na revista Caminho Zen, Vol. 10, No. 3 - 2005

sábado, 1 de novembro de 2008

MOOJI NOS FALA...


'Eu necessito de ajuda' é a frase chave aqui. É sábio buscar auxílio, até que você vá além da necessidade do auxílio. Não a arrogância que diz 'Não há' ningúem a ser ajudado, nenhum 'eu',nenhum 'você'. Ningúem existe, somente aquilo que É ', que embora verdadeiro quando exaltado da boca do sábio, é completamente falso quando expressado da mente egóica! O ego que se levanta através do intelecto bancando ser algum tipo de herói espiritual. Esta compreensão não pode ser enxertada numa mente ego-centrada porque a verdadeira compreensão dissolve o ego-buscador. Não há ninguém que sobre para reivindicar a liberdade como uma realização. A Unidade única apenas existe, manifestando-se através e como a própria consciência, Ela expressa-se como o jogo cósmico. É a consciência se expressando no papel do humilde buscador que finalmente, através da graça, alcança a compreensão final, assim realizando-se como a Consciência Impessoal/O Ser. A sua busca por ajuda abre uma enchente de Graça que se manifesta na forma do 'professor', que é um reflexo do seu verdadeiro Ser, cuja autoridade e presença o assiste empurrando a mente externalizada para dentro de sua fonte, o coração, resultando assim na compreensão final. Esta graça provém do seu próprio Ser e é o seu Ser. Você ouviu o provérbio que diz : ' Nós somos chamados por nosso próprio Ser ', e ainda tudo isto toma a forma como um mero teatro na consciência. O Absoluto, o Ser real de cada um, o Sat guru dentro de nós, nem se beneficia nem sofre nenhuma alteração de maneira alguma, mas mantém-se como o inalterado substrato ou pano de fundo. Esta é a verdade.


MOOJI

VOCÊ É BUDA AGORA!


O buddhismo Zen é baseado na idéia de que, já que todos os seres sencientes têm uma natureza búddhica, para atingir a iluminação é apenas necessário descobrir este buddha interior. Já que você já é um buddha, você está iluminado no momento em que entender sua verdadeira natureza. Digo que o Zen é mal entendido porque as pessoas muitas vezes acreditam que este "descobrimento" da natureza búddhica interior pode ser atingido sem trabalho. Este não é o caso. A prática Zen real é muito disciplinada e muitos anos de estudo devem necessariamente preceder a liberação "súbita" na verdade.


(Hsing Yün, Only a Great Rain)

OM




Há um grande espaço


no qual este momento toma lugar.


Há um grande silêncio


que está escutando os pensamentos.




ADYASHANTI




ISAAC SHAPIRO E O NÃO-EU


Páre por um momento e simplesmente experiencie a totalidade de sua experiência simplesmente como SENSAÇÕES agora.

Dê-se conta de que o que você experiencia, de que suas sensações, estão mudando todo momento , e portanto, não podem ser descritas. Para poder falar sobre o AGORA você precisaria falar volumes, e mesmo assim a sua experiência já teria mudado.

Dê-se conta de se você experiencia isso sem entar quantificar ou qaulificar suas sensações, se há um senso de limite entre você e sua experiência.

Dê-se conta de que normalmente achamos que podemos descrever nossa experiência, e nessa idéia há um senso de eu. Perceba que ao tentar descrever nossas sensações, essa atividade aparece para dara ao não existente "eu" um senso de controle.

Agora se dê conta de que você está consciênte de qualquer experiência. Essa atenção já está presente. Veja se você pode descrever essa atenção. Se dará conta de que isso é impossível.

Onde ela está? Em todos os lugares.

Há algum limite? Nenhum.

O que é ela? Todas as coisas.

Nós temos duas palavras para atenção e experiência.

Mas realmente há somente palavras. Nós não podemos descrever.


Veja se há qualquer limite entre a atenção e experiência.

Nós temos a capacidade de objetificar uma experiência, e então parece que há um observador e um objeto observado.

Quando acontece o experienciar da totalidade de nossa experiência no AGORA, não há possibilidade de obejetificar, por isso, não há sensação de eu.


ISAAC SHAPIRO



ENTREVISTA COM SESHA


Publicada na revista espanhola Verdemente.

O que é o Vedanta Advaita?

O Vedanta Advaita, o Vedanta Não-dual, é a jóia suprema da tradição filosófica hindu. É um sistema filosófico teórico e prático que dá resposta às perguntas fundamentais que todo ser humano possa ter e que estuda em profundidade os diferentes níveis de consciência, que vão desde o estado onírico até os maravilhosos estados da Não-dualidade que atuam na Meditação e no Samadhi.

A que se refere o termo “advaita’, quer dizer, “não-dualidade” ?

Para explicar de uma maneira breve e simples, o conceito de não-dualidade ou não-diferença faz alusão ao fato de que o observador é não-diferente daquilo que observa; ou que o sujeito é não-diferente do objeto; ou que o indivíduo é não-diferente do Absoluto. Por exemplo, isso quer dizer que, embora duas células quaisquer de seu corpo não sejam a mesma célula, ambas são não-diferentes; de fato, ambas compartilham a mesma informação genética. Do mesmo modo, embora você não seja eu, nem eu seja você, ambos somos essencialmente não-diferentes. Isto é exatamente o que vê um gnani ou sábio hindu, um místico cristão ou islâmico, um Buda ou qualquer ser iluminado ou desperto de qualquer tradição.

E o que é meditar, a partir da perspectiva Advaita?

Meditar é a aquietação da agitação mental. Meditar não é destruir a mente, mas aquietá-la; é permitir que a Consciência conheça diretamente a Realidade sem a mediação ou interferência da atividade mental.

SESHA

A TRANSFORMAÇÃO DO PLANETA


Admito que pareço estar no epicentro da onda de transformação porque isso é o que eu faço e as pessoas chegam para estar em contato comigo. Todos que encontro estão sofrendo transformações e às vezes, quando ligo a televisão, sou repentinamente lembrado – “Oh! Não está acontecendo com todo mundo”. Por causa de minha posição peculiar, admito que certas vezes parece, para mim, que o mundo inteiro está se transformando. Ao mesmo tempo, recebo mesmo imensa massa de correspondência de pessoas que estão relatando mudanças na consciência e enorme diminuição do sofrimento, etc. Isso eu vejo em toda parte; porém não, não tenho uma escala do tempo, tudo que eu sei é que há uma aceleração de algo. Também sinto que o planeta provavelmente não sobreviverá outros cem anos se a velha consciência predominar por muito tempo no planeta, com tudo que isso significa.
É impossível que a natureza do planeta possa suportar isso. Assim, pela primeira vez na história humana essa transformação tornou-se uma necessidade, até mesmo para a sobrevivência da espécie. E talvez seja somente assim, em qualquer evolução e transformação, talvez seja apenas quando a espécie alcança um ponto crítico em que a sobrevivência fica ameaçada se ela continuar sem transformar-se – aí então essa transformação acontece em nível coletivo. Eu acredito – e posso dizer que é quase um fato – que se os velhos padrões de fazer as coisas continuarem por mais cem anos, e naturalmente esses padrões ficarão ainda mais ampliados, os meios de destruição serão maiores e o planeta não será mais capaz de sustentar a vida humana por mais cem anos.


ECKHART TOLLE