sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O IMPENSAVEL




Para quem serve a pergunta QUEM SOU EU?
Ora, todos os mestres recomendam esta pergunta.
Ela deve ter uma GRANDE sacada!
Pois bem: digo o que para mim serviu: derretimento.
Derreter o que?
O resmungador.
O cobrador.
O julgador.
O intérprete que insiste em olhar as coisas como as coisas não são.
Porque o intérprete apenas vê nas coisas o que as coisas FORAM.
Porque quando se olha a realidade, nada daquilo que se viu, se VÊ.
Porque o conhecimento que tenho das coisas me fazem ver as coisas como se elas fossem sempre as mesmas coisas!!!
Uau!
O novo é impensável!!!
QUEM SOU EU?
Isto!

Naseeb

CACOS




O que eh o Zen?
Apenas este momento PLUFT!
A boca fala
Os dedos escrevem
O copo de cristal cai da mesa
O que eh o Zen?
Juntar os cacos!




DE PERTINHO




De pertinho
mas bem de pertinho
cada um eh mais do que um
e se faz presente a raridade de cada ser

De pertinho
o um eh a variedade
e a variedade
está implícita nisso

Naseeb

Meditação sem Meditador




Sente-se em silêncio.
Dance em êxtase.
Mas uma coisa em comum: Desapareça!
Meditação sem meditador.
Dança sem dançarino.
Only this!

Naseeb

MEIO




“"Tudo existe" é um dos extremos." Nada existe" é o outro extremo. Devemos sempre nos manter afastados desses dois extremos, e seguir o Caminho do Meio"  (Buda)

sábado, 8 de setembro de 2012

UPANISHADS



Aqueles que se dedicam tanto à vida no mundo como à meditação superam a morte através da vida

no mundo e atingem a imortalidade através da meditação.
À escuridão estão destinados os que cultuam somente o corpo, e a uma escuridão ainda maior os
que veneram apenas o espírito.
Cultuar somente o corpo leva a um resultado, venerar apenas o espírito leva a outro.
Assim falaram os sábios.
Os que veneram tanto o corpo como o espírito, pelo corpo vencem a morte, e pelo espírito atingem a imortalidade.

UPANISHADS

DHAMMAPADA




124.


Se na sua mão não houver ferida, pode um homem manusear o veneno:

O veneno não afeta o que não tiver ferida;

Não há mal para aquele que não o pratica.

125.

Quem ofende a um ser humano, a um inocente,

A um homem puro e inofensivo,

O mal ricocheteia sobre este mesmo tolo

Como fina poeira lançada contra o vento.

126.

Alguns nascem no útero; os malfeitores, no estado de infortúnio;

O justos vão ao estado de beatitude; os libertos de cancros (morais) passam ao Nirvana.

127.

Nem nos céus, nem no meio do oceano, nem se refugiando no antro d’uma montanha,

Não se conhece lugar nenhum nesta terra onde, permanecendo, possa um homem escapar (das consequências) de sua má ação.

128.

Nem nos céus, nem no meio do oceano, nem se refugiando no antro d’uma montanha,

Não se conhece lugar nenhum nesta terra onde, permanecendo, não seja o homem pela morte subjugado.



Dhammapada*, Cap. IX. – Do Mal.

QUANDO A VONTADE FALHA...




Deverá haver tempos problemáticos em que sua diligência falha, seus desejos se inflamam e a insatisfação faz você desejar que as coisas fossem diferentes do que são atualmente.


Em tempos assim, quando você não consegue se concentrar na prática, reflita sobre a miséria do samsara.

Relembrar a si claramente que o ciclo de existência é completamente permeado pelo sofrimento irá reavivar sua fé e reafirmar sua confiança nos ensinamentos.

Dilgo Khyentse Rinpoche, em “The Hundred Verses of Advice“

DOS VEDAS E DO VEDANTA




O filósofo Arthur Schopenhauer é bastante caricaturizado por sua ética do pessimismo, uma análise bastante crua e despojada de enfeites da realidade. Para ele, os homens vivem confusos, presos e acorrentados em desejos e anseios, sem se importarem em resolver o problema da existência, este sendo o objeto de estudo do sábio.


O eco que Schopenhauer ouviu dos Vedas deu a ele a garantia de que suas conclusões estavam bem apoiadas e tinham o respaldo de mais de 5.000 anos de metafí­sica e ontologia para lhe confortar.

As primeiras traduções dos textos vêdicos, tais como as Upanishads, a Bhagavad Gita, o Vishnu Purana, entre outros, para as lí­nguas ocidentais, foram recebidas com muito satisfação por ele, que se utilizou de muitos termos sânscritos para expressar suas reflexões.

No parágrafo 115 de Parerga e Paralipomena, ele diz o seguinte: “Os leitores de minha ética sabem que, para mim, o fundamento da moral repousa em última instância sobre aquela verdade que está expressa no Veda e Vedanta pela fórmula mí­stica tat twam asi (isto és tu), que é afirmada com referência a todo ser vivo, seja homem ou animal, denominando-se então o Mahavakya, o grande verbo.”

Mais adiante, no mesmo parágrafo, encontramo-lo exaltando com grande entusiasmo a doutrina religiosa dos brahmanes em oposição a pobreza metafí­sica das religiões tradicionais, citando um terceiro: “Monsieur, c’est la vraei religion!”. My fellow-sufferer, soci malorum, compagnon de misères.

Outro ponto interessante de ligação entre eles é a doutrina do sofrimento do mundo. Nos Vedas encontramos muitas afirmações que indicam que a compreensão correta acerca da realidade deste mundo se baseia em sua temporalidade (asasvatam) e em sua condição como um local de inúmeras misérias (duhkalayam). Essa é a compreensão a priori que devemos ter sobre o mundo para não alimentarmos falsas esperanças e ilusões quanto a este. Todos os seres nascem confusos e iludidos pelo prazer e pela dor. São forçados a envelhecer, adoecer e morrer. Seus planos são frustrados pela natureza material, seus apegos arrancados e seus medos muitas vezes realizados. Isso não é um motivo de lamentação para um sábio, mas o é apenas para os tolos, que se identificam com a matéria e suas transformações. Este mundo é o samsara, o ciclo de nascimentos e mortes.

Schopenhauer prescreve uma ética de resignação e profunda sobriedade nos tratos com o mundo e as outras pessoas. O sofrimento é inevitável. Pode ser causado por nosso corpo ou nossa mente, por outros seres vivos, ou por fenômenos naturais que estão além de nosso poder. “Pois o mundo constitui o inferno, e os homens formam em parte os atormentados, e noutra, os demônios.” (p. 156). Reconhecendo tal caracterí­stica e vivenciando-a, a pessoa pode começar a se interessar em buscar o Absoluto. Enquanto está enamorada das ilusões da matéria, tal empreitada torna-se escusa e distante. O papel da filosofia é conduzir os homens à mais perfeita saúde do espí­rito e à consequente felicidade que dela advém. Somente aquele que está a par do funcionamento da “máquina do mundo” pode chegar a tal objetivo, e não aquele que, até mesmo conscientemente, busca se enganar e ser enganado com a falsa propaganda de uma felicidade materialista. Para concluir, seu conselho final quanto a isto é: “Para a paciência na vida e para suportar serenamente os males e os homens, nada pode ser mais útil do que uma recordação budista deste tipo: “Isto é o samsara; o mundo do prazer e do desejo, e portanto, do nascimento, da doença, da velhice e da morte; é o mundo que não deveria ser. E isto aqui é a população do samsara. O que melhor podeis esperar.” Quero prescrever a cada um que repita isto quatro vezes por dia, conscientemente.”

Fonte: http://www.ekadantayoga.com.br/schopenhauer-e-a-filosofia-dos-vedas.html



VEDANTA E SCHOPENHAUER



A conexão do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860) com as escolas filosóficas ligadas aos Vedas, milenares escrituras sânscritas, é um dado irrefutável, seja pelas numerosas citações em seus escritos, ou seja pela influência que os conceitos ontológicos e metafí­sicos dos sábios vêdicos podem ter produzido em seu próprio sistema.


Também podemos basear nosso argumento no próprio nome dado pelo filósofo ao seu cão: Atma.

A distinção realizada por Kant entre a coisa-em-si (numenon) e o que se mostra (phainomenon) é um dos pontos de partida para a filosofia de Schopenhauer.

Somos limitados pelo nosso aparato cognitivo (sentidos, mente e inteligência) que apenas apreendem a realidade de um determinado jeito, sob uma série de categorias. A verdade do mundo nunca se mostra inteiramente, e mesmo se se mostrasse, nós não a perceberí­amos em sua plenitude1. Com esse movimento, Kant pretendeu mostrar que os objetos de estudo da metafí­sica, Deus, existência da alma etc, estão além da capacidade cognitiva dos homens. Pela mesma razão, não podemos chegar a um conhecimento seguro sobre tais objetos. Em Schopenhauer isso também se aplica, de certa forma, mas suas reflexões são bastante diferentes das de Kant, e ele chegou a escrever um livro sobre as diferenças de seus sistemas filosóficos. Sua pretensão foi mais longe, ao buscar meios pelo qual o sujeito, aquele que percebe os objetos do mundo e de sua mente, pudesse por alguma maneira acessar a coisa em si, a essência do mundo.