domingo, 16 de dezembro de 2012

SIMPLESMENTE SOU



Satsang é uma reunião pela verdade onde ninguém tem a verdade.

A verdade em si mesma já É
Não há ninguém separado da verdade.


Eu não sou sábio
Eu não sou ignorante
EU simplesmente
SOU!



Sambodh Naseeb



quinta-feira, 29 de novembro de 2012

VERDADE



Satsang é uma reunião pela verdade onde ninguém tem a verdade.
A verdade tem ela mesma!
Não há ninguém separado da verdade.

Naseeb

terça-feira, 27 de novembro de 2012

LUZ



Satsang não existe para acabar com os problemas em sua vida.

Satsang existe para ascender a luz que está faltando em sua vida.


Naseeb

ENTREVISTA COM SAMBODH NASEEB



O Jornal Bem Estar de São José do Rio Preto entrevista Sambodh Naseeb sobre seu último workshop na cidade. Confira.

SATSANG É AQUI AGORA

Satsang deixará de lado as crenças sobre reencarnação, vidas passadas, mundos espirituais, evolução, amanhãs, karmas, fim do mundo, premonições, profecias, deves e não-deves, obrigações e culpas, etc. Deixará tudo que faz parte do mundo do pensamento para que caiamos no coração do Agora. Satsang rouba a sua mente! O Amor Incondicional existe sem conceitos bem AQUI. É a revelação e a possibilidade clara da paz, do bem estar e do amor consciente que é a base da sua essência exatamente AGORA, que por não ser nascida, nunca pode evoluir.

Sambodh Naseeb

NEM INFERIOR, NEM SUPERIOR


Quando dizemos "ninguém é superior ou inferior" nós temos que estar olhando para algo que transcende a forma. Ao olharmos para a forma, haverá uma correspondência dessa forma na mente em pensamento. Ao dizermos que não há nada para reencarnar, do mesmo jeito, teremos de olhar além da forma, porque na forma tudo se reencarna, porque nenhuma energia desaparece, apenas se transforma. Satsang é uma visão de Amor além da forma. Um jeito de olhar inocentemente, amorosamente, docemente. A graça que vem disso é um apaziguamento que dá paz à forma (corpo/mente), beleza à forma, e nutre a forma com o alimento do amor. Por que? Porque enfim, a forma não está separada da não-forma. Tudo é Um.


Naseeb

É O TODO QUE FAZ, NÃO VOCÊ!





Dizes: "EU fiz isto". Gostarias que toda gente soubesse que fizeste isso, ou aquilo. Esse ego é a barreira para a SUPREMA COMPREENSÃO. Abandona aquele que faz e deixa que as coisas aconteçam. Seja desprendido e natural.

Osho

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ENTREVISTA COM O GURU



Guru




P: O que é um Guru?

...R: No sentido literal GURU significa aquele que dissipa a ignorância.



P: O que é a conexão Mestre/Discípulo? Como isso funciona?

R: O Mestre é aquele que mostra que você é luz em si mesmo e que a escuridão nunca existiu. Através de sua Graça ele remove as idéias errôneas de que há um estado não iluminado que deve ser superado.



P: Quando alguém está adormecido – cheio de dúvidas e medos e controlado pela mente – como reconhecer um verdadeiro Mestre?

R: Um Mestre não pode ser reconhecido através de suas palavras ou ações, nada do que ele faça ou diz prova ou desaprova seu estado espiritual ou suas qualificações em ser um Mestre. Se sua mente automaticamente fica quieta e pacifica na proximidade de alguém, então isto pode ser uma indicação, não uma prova, que esta pessoa está qualificada para ser um professor espiritual. Não há outros sinais confiáveis.



P: Qual é a diferença entre você e eu ? Se você diz que não há diferença entre nós, por que você se senta em cima e eu sento-me aqui embaixo? Se eu sentar-me em sua cadeira, ninguém vai me ouvir ou acreditar em mim.

R: Não há diferenças. Todas as diferenças são imaginárias. Se você imagina que há diferenças, você pertence ao chão. Se você não tem dúvidas ou pensamentos sobre diferenças imaginárias, você pertence a cadeira.



P: Praticamente todos os Mestres espirituais tem sido homens. Por que? É mais difícil para a mulher atingir a Iluminação?

R: Há somente um Mestre, e ele não é nem macho, nem fêmea. Ele brilha dentro de você, é seu próprio Self. Se você pensa que você é uma mulher, então o pensamento previne você de estar consciente disso.



P: Nós viemos à Índia para encontrar um Guru? Ou nós podemos nos tornar auto-realizados sem um professor vivo, usando nosso próprio insight?

R: Um não pode realizar o Self sem a graça de um Guru vivo. Enquanto você pensa que você tem um corpo, somente um Guru no corpo pode ajudar você. Você não encontra um Guru indo de um país a outro. Você o encontra por ter um intenso desejo por liberdade.



Morte



P: O que acontece quando uma pessoa Self-realizada deixa o corpo? Se não há necessidade para reencarnar, onde ele vai?

R: Não há algo como uma pessoa Self-realizada. Quando não há a “pessoa” o Self é realizado. Quando não há a “pessoa” a questão de ir ou vir não pode surgir. O corpo é um aparecimento no Self. Quando o corpo desaparece o Self permanece e isso é como sempre foi. Realização é o entendimento “Eu não sou este corpo que vem e vai, eu sou esta permanência, esta realidade imutável na qual o corpo e tudo mais também aparece.”



P: O que é o Jiva ou a Alma que reincarna numa pessoa não iluminada?

R: O jiva é esta entidade que clama ser sua todas as atividades do corpo e da mente. Se você morre sem encontrar quem e o que você realmente é, este jiva, junto com todos os seus desejos e medos acumulados, encontrará outra forma para invadir e perturbar.



P: Nos falaram que às vezes uma alma não encontra um veiculo apropriado imediatamente: pode haver um tempo longo entre deixar um corpo e entrar em outro. O que acontece com o Jiva durante este período? Nós estamos cônscios enquanto neste “intervalo”?

R: Um jiva pode encontrar outra forma quase imediatamente ou pode levar varias centenas de anos. O que acontece neste período? Ele goza ou sofre em acordo com seu karma, do mesmo jeito que isso acontece quando ocupa um corpo humano. Em qualquer forma ou mundo, que o jiva exista, ele estará sempre se alternando entre prazeres e dores.

P: Se nossa natureza é SAT-CHIT-ANANDA (Conhecimento - Consciência - Êxtase) – por que nós deixamos este estado bem-aventurado e assumimos a forma corporal, aprendendo através de tantas vidas o que provavelmente já sabemos de inicio? Algumas vezes eu sinto que só quero ir para casa? Onde é minha Casa?

R: Porque assumir que você deixou Sat-chit-ananda. Uma suposição desta lhe traz um problema sem-fim. Por que não ter a convicção de que você sempre esteve em “casa”, de que você sempre tem estado em bem-aventurança, e sempre estará? Se você deixar ir esta idéia de que pegou uma forma corporal, você descobrirá que sempre esteve em Sat-chit-ananda.



P: Por que nós não nos lembramos nada das nossas vidas passadas?

R: Algumas pessoas lembram, a maioria não. Relembrar o passado mantêm você no passado. Quanto menos você lembrar do passado, melhor será para você.



P: Que tipo de reencarnação vem para alguém que comete suicídio?

R: “Sui” significa “Self”. O suicídio real será extinguir a vida deste “self” que você pensa que é. Se você puder fazer isso, não haverá mais mortes e renascimentos. Se você simplesmente mata o corpo, você rapidamente encontrara um novo corpo para continuar seu sofrimento.



Iluminação



P: O que é Iluminação? No seu livro “Wake up and Roar” é dito que uma mente quieta é Iluminada, não seria mais correto dizer que completa e permanente ausência da mente é Iluminação?

R: Quando o “Eu” que aparece para clamar ser o dono de todos os pensamentos e ações é permanentemente erradicado, a Iluminação permanece. Uma mente quieta é simplesmente uma mente ativa que entrou em descanso. Iluminação é o substrato de ambos os estados.



. P: A Iluminação muda o corpo, quimicamente de alguma forma? Ocorre no momento da Iluminação um aumento súbito de energia?

R: Quando você é um com a fonte de seu Ser você está ligado há um infinito estoque de energia. Quando você não mais pensa “Eu estou fazendo isso”, a Força do Self toma posse, possibilitando todas as atividades serem feitas com uma abundância de energia. Ramana Maharshi disse algumas vezes que a Força do Self surgia através dele tão forte que ele não conseguia manter sua cabeça quieta. Sua cabeça tremia sempre, exceto quando ele estava em samadhi ou quando olhava atentamente nos olhos dos devotos.



P: Pode uma pessoa comum se tornar Iluminada, ou você tem que ser um buscador espiritual no caminho?

R: Se você não quer isso, você não ganha isso.



P: Como eu posso dizer se eu sou Iluminado ou não?

R: Abra seus olhos e olhe em volta. Se você ainda vê um mundo exterior e distante de você, você não está iluminado.



P: Por que não?

R: O mundo e aquele que o vê são ambos projeções da mente, e enquanto houver esta mente, a iluminação estará encoberta. Quando você experimenta e sabe diretamente, sem precisar dos olhos, que o mundo é uma manifestação sem uma razão dentro do seu próprio Self, você não precisará perguntar se você é ou não Iluminado.



P: Você pode antever em um futuro não muito distante onde haverá muitas pessoas na Terra que estarão Iluminadas?

R: Não há futuro, não há pessoas, não há Terra, não há ninguém buscando Iluminação, e não há ninguém ganhando isso. Esta é a ultima e única Verdade.



P: Iluminação significa que você está sempre feliz? Quando a coisas difíceis e tristes ocorrem em sua vida, elas afetam você? Quando você fica bravo e em Satsang põe pessoas para fora, você fica em paz, feliz e em bem-aventurança por dentro? É a diferença entre você e nós o fato de que nós nos identificamos com nossas emoções e permitimos que elas nos controlem enquanto você não ?

R: Felicidade é permanente. Ela está sempre lá. O que vem e vai é a infelicidade. Se você se identifica com o que vem e vai, você será infeliz. Se você se identifica com o que é permanente e está sempre lá, você será feliz em si mesmo.

Raiva é uma das minhas boas amigas. Ela está sempre lá quando eu preciso dela para tratar de algum negócio. Ela é muito útil. Ela faz seu trabalho sem perturbar-me e depois sai de cena até que a precise novamente.



P: Quando a pessoa está “madura” para a Iluminação? Há um período de gestação que precede a Iluminação como os nove meses de preparação e crescimento que precedem o nascimento de uma criança?

R: Você está pronto para a Iluminação quando você não quer nada alem disso. Para nascer um bebe você deve despender nove meses ficando maior e maior. Para Iluminação você deve ficar menor e menor até você desaparecer completamente.



P: Você diz que eu devo encontrar a fonte dos meus pensamentos e permanecer lá. Como eu faço isso?

R: Olhando dentro de você para ver de onde eles vêm.



P: Você ainda tem pensamentos contínuos ou como Mestre você somente tem pensamentos quando eles servem a um determinado propósito? Você pode escolher ficar sem pensamentos?

R: Pensamentos aparecem e desaparecem mas eles não são “meus”, então eles não me incomodam. Deixe que eles venham, deixe que eles vão. O que isso importa? Eles não tem nada a ver comigo.



P: O que é o Self inferior? O que é o Self superior?

R: Não há inferior ou superior no Self.



P: Outros professores dizem que um longo período de purificação é necessário antes que a Iluminação possa acontecer. Você tem dito que você deve tornar o seu ser belo antes que a Verdade o abrace. Como podemos tornar nosso ser puro e belo?

R: Você não pode tornar-se puro através de qualquer atividade física ou mental. Pureza é somente quando não há pensamentos. A Verdade não é muito atlética. Ela não pode pega-lo se você fica se movendo por aí. Ela somente o toma e o abraça se você estiver absolutamente quieto.



P: Se a liberdade da escravidão é nossa verdadeira natureza, por que são tão poucos que realizam isto?

R: Porque são muito poucos os que se importam com isso o suficiente ou querem isso o suficiente.



P: Iluminação implica Onisciência?

R: Não há nada separado do SELF que pode ser conhecido e nada no SELF que pode saber isso. A idéia de onisciência somente pode aparecer quando há um sujeito que tem conhecimento sobre um infinito número de objetos. Se não há sujeito e não há objetos, o que acontece com a onisciência?



P: Quando você é iluminado você ganha o conhecimento de suas vidas passadas?

R: Quando você é iluminado você tem o conhecimento que nada nunca aconteceu.



Mente



P: O que é a mente? O que é a não-mente? A não-mente é uma ausência temporária da mente ou isto é permanente?

R: A mente é justo uma coleção de pensamentos ao longo do “EU” que os move em torno. Quando “EU” cai fora não há mente. Quando a não-mente submerge dentro de sua fonte e fica lá, a realidade brilha, permanentemente e irrevogavelmente.



P: A maioria das pessoas tem receio de deixar ir suas mentes porque eles pensam que eles precisam dela para funcionar no mundo. Como suas atividades diárias serão feitas se não houver um que decida o que e como fazer?

R: Experimente e veja. Você é como alguém em um PABX que pensa que tem que correr em torno e fazer as conexões por si mesmo. Relaxe, pare de interferir, e você verá que todo o show continua por si mesmo sem nenhuma intervenção sua.



P: Muita gente tem despendido anos com êxito no esforço de aquietar suas mentes. Isto os traz mais próximos da Iluminação ou eles simplesmente aumentam sua força de concentração?

R: Pessoas que tem êxito em seus esforços de aquietar suas mentes estão se concentrando intensamente em um objeto do pensamento chamado “silêncio”. Este não é o silêncio do não pensamento. Isto é uma experiência de estado mental através de intenso esforço, quando ambos, o esforço e os pensamentos cessam, a Iluminação ocorre.



P: Algumas vezes em Satsang você usa o Buda como um exemplo. O Buda alcançou a liberdade através da meditação, ainda assim você sugere que há limitações na meditação. Poderia nos explicar sobre isto?

R: O Buda tentou todos os tipos de meditação e tapas antes de chegar a Bodhi Gaya, mas ele não teve nenhum resultado. Quando ele se sentou embaixo da arvore bodhi, tudo que ele tinha era uma firme determinação que não iria se mover antes de alcançar a Iluminação. Foi a sua determinação em ser livre que conseguiu sua liberdade, não nenhuma prática anterior.



Vida



P: Quem sou eu?

R: Aquilo que você imagina ser. Quando você para de criar identificações para si mesmo, você encontrará quem você realmente é.



P: Quem é Deus?.

R: Quando você projeta um mundo de sonhos para si mesmo e vive nele, você também projeta um Deus que olhe por ele. Quando você para sua projeção, ambos o mundo e Deus desaparecem.



P: Depois da Iluminação, nós entendemos tudo sobre a vida? Ou o propósito da vida fica no coração como um mistério e não como um enigma a ser resolvido?

R: O Self será sempre um mistério porque não há nada fora dele para compreende-lo, analisa-lo ou entende-lo.



P: Qual é o significado da vida?

R: Porque deve haver algum significado? Qualquer significado que você atribua para isto é justamente uma idéia em sua mente. A Vida não é afetada ou explicada por nenhuma idéia que você possa ter sobre isso.



P: Você pode por favor falar sobre como aprender a viver, simplesmente ser aqui agora. Algumas vezes estando a sua volta eu sinto você compartilhando conosco ordinárias atividades diárias. Eu penso sobre o Zen dizendo “Antes da Iluminação cortar lenha, carregar água, após a Iluminação, cortar lenha, carregar água”....

R: Antes da Iluminação você pensa, “Eu preciso cortar lenha, eu preciso carregar água”. Depois de tudo a lenha é cortada, a água é carregada mas isto não tem nada a ver com você. Isto simplesmente acontece.



P: Quando nós estamos no ‘intervalo’ entre vidas, nós conscientemente escolhemos o corpo que nós queremos reencarnar, nossos pais, e essas coisas? Se é assim, como nós escolhemos?

R: Isto não é uma agencia de viagem que você pode pegar um bom local para seu próximo nascimento. Seus pensamentos e desejos nessa vida impulsionara você a uma nova forma e não necessariamente a uma muito boa. Isto está fora do seu controle. Agora mesmo você pode exercitar controle buscando de onde vem os seus pensamentos e desejos. Após sua morte será muito tarde.



P: Por que nós temos tanto medo em nossas vidas? Por que confiar em cada momento é tão difícil?

R: Se você vive no ego, você automaticamente monta situações de ‘eu’ e o resto do mundo. Para defender o ego você deverá ser egoísta e você deverá temer os outros porque eles todos ameaçam o seu bem estar. Como você pode confiar em qualquer um nessa situação?



P: Muita gente acredita que há algo como um “ego saudável”. Uma pessoa com um ego saudável pode ser confiante,

Cônscio de suas habilidades e limitações, gostos e não gostos, tem alta auto-estima, e assim vai...Existe algo como um “ego saudável”? Isto pode levar a liberdade?

R: Uma pessoa que confia em si mesma e tem alta auto-estima (o que os psicólogos chamam de ‘ego saudável’ não está mais próximo da liberdade do que qualquer outro. Esta pessoa pode sentir que está feliz e que não precisa de grandes mudanças em sua vida. A pessoa que entende que este ego está continuamente causando problemas mentais esta mais propicio a buscar soluções. Não há algo como um ego saudável assim como algo não há algo como doença saudável. O ego não pode o levar a liberdade, ele só pode obstruir isso. Ego e liberdade não podem coexistir. Quando o ego desaparece, a liberdade substitui isso.



Sonhos



P: O que são sonhos? Por que nós sonhamos?

R: Sonhos são projeções mentais, de noite vocês os projetam dentro de suas cabeças, durante o dia vocês os projetam fora de suas cabeças. Vocês sonham esses mundos porque há um forte desejo de desfruta-los.



P: Você me diz ‘ Acorde!’ que eu estou sonhando neste momento. Quando eu vou dormir de noite eu não me lembro de nada até que eu acorde na manhã seguinte, e algumas vezes eu tenho sonhos que sinto tão reais quanto quando estou acordado em, tão real quanto a sensação de que eu estou sentado aqui agora. Como nós sabemos o que é real e o que é irreal?

R: Todos os seus sonhos são irreais até mesmo o sonho que você chama de estado acordado, a única realidade é a tela onde eles aparecem. Quando você se identifica com a tela e não com as figuras, você saberá o que é real e o que é irreal.



P: Quando estou sonhando algumas vezes sinto que eu sou simultaneamente todas as figuras do sonho. Ao mesmo tempo eu sinto que estou observando todas essas figuras e tudo o que esta acontecendo. Ainda eu não tenho nenhum senso de controle sobre o que estou sonhando. É justo um acontecimento, eu sou o sonho, eu observo o sonho, eu não posso controlar isso. O que está realmente acontecendo?

R: Você esta justamente sonhando. Se você quer saber o que realmente está acontecendo acorde.



P: Você diz que não há diferença entre sonhando e o estado acordado. Agora mesmo, como você pode dizer que você esta no estado acordado e não sonhando que você esta dando Satsang?

R: Eu não estou em nenhum dos dois estados. Ambos os estados alternativamente aparecem em mim. Você está sonhando que eu estou dando Satsang, mas seus sonhos não me tocam, nem me afetam.



P: Por que nós temos dificuldades em relembrar nossos sonhos?

R: O cérebro é programado para esquecer a maioria do que nós sonhamos. Esta é justamente a maneira que o corpo funciona.



P: São nossos sonhos mensagens? Eles querem nos dizer algo?

R: Eles estão dizendo-nos que criação é um sonho, e que há a possibilidade de acordar ( sair fora) do sonho.



P: Você é consciente quando você dorme? Se é, o que é?

R: A mesma consciência permanece em todos os estados acordado, dormindo ou sonhando. O aparecer e o desaparecer destes três estados alternativos não afetam esta consciência, isto não é consciente dos três estados, eles simplesmente aparecem e desaparecem nesta consciência.



Livre arbítrio versus determinação



P: É tudo em minha vida, por exemplo o momento e método da minha morte, predeterminado? Que liberdade de escolha e ação eu tenho em minha vida? É o momento da Iluminação predeterminado, ou pode ocorrer em qualquer momento?

R: Todas as atividades que um corpo executa são predeterminadas. A única liberdade que você tem é escolher não se identificar com o corpo que está executando as ações. A Iluminação não acontece no tempo. Ela acontece quando o tempo para.



Desejo



P: Nós vivemos em tempos de abundância. Nós podemos escolher entre inúmeros diferentes objetos e nós podemos nos encontrar presos em um desejo sem-fim por mais, maior e melhor. Como podemos viver no “mercado”, mas não envolvidos nisso?

R: Não indo as compras por objetos dos sentidos.



P: O que é o desejo? Qual é o caminho para a verdadeira felicidade?

R: Discriminando o que é real e permanente e o que é irreal e impermanente. E assim desejando o primeiro e não o ultimo.



Sexo



P: O celibato ajuda-nos na realização do SELF?

R: Não há sexo no SELF. Eu tive criança, netos e bisnetos, e nenhum deles me segurou.



P: Há muitos caminhos para a Iluminação, incluindo o caminho que usa a união com o parceiro como um caminho para o Divino. Algumas pessoas tem experenciado quando faz amor com seu companheiro, sentimentos de união com a existência. Você acredita que é possível alcançar verdadeira liberação neste tipo de caminho?

R: Atividades físicas pode produzir somente resultados físicos. Atividades mentais produz resultados mentais. Atividades sexuais produz bebes. Iluminação não é produzido por nada disso.



P: Há um modo correto para praticar o sexo e a sexualidade?

R: Vá até Khajuraho e aprenda como fazer isso no modo indiano.



Entrega



P: Entregar-se ao Mestre é o mesmo que render-se ao Divino dentro de nós todos, ou isto é novamente olhar por objeto fora de nós mesmos?

R: O Mestre não é um objeto fora de você, ele esta dentro de você como seu próprio SELF, entregue-se a ele lá.



P: Como a verdadeira entrega é realizada?

R: Indo de volta a sua fonte e descobrindo que não há ninguém para se entregar, nem nada para entregar.



Amor



P: Qual a diferença entre amor e compaixão?

R: Para o ego, amor é apego criado pelo desejo, enquanto compaixão é um sentimento de pena pelos outros. Quando não há ego os dois são o mesmo.



P: Nós todos desejamos amar e ser amados e de tempos em tempos novamente nossa procura pelo companheiro perfeito acaba em desapontamento. Só é possível amar outro quando ambos são Self-realizados? E quando nós estamos Self-realizados, nós não amaremos todos da mesma forma, o que torna a monogamia impossível?

R: No Self não há outros para amar ou ser monogamico com. O desejo de um companheiro perfeito sempre acabara em desapontamento porque não há nada como um par perfeito. Parcerias são sempre imperfeitas.



P: Pode o amor ser incondicional quando nós ainda vivemos no ego?

R: Não



P: Deus é Amor?

R: Você o trouxe para a existência. Seja criativo, faça ele ser aquilo que você quer que ele seja.



Esta entrevista foi dada em Satsang ( encontro com a verdade),

Em Lucknow, Índia, 26 Agosto de 1994, traduzido por Shanti, em Amor e Agradecimento.

domingo, 28 de outubro de 2012

REVOLUÇÃO






"A transformação se realiza quando não existe medo, quando não existe “experimentador e experiência”; é só então que se verifica a revolução que está fora do tempo. Tal revolução, porém, não é possível, quando estou tentando transformar o “eu”, quando estou tentando transformar “o que é” noutra coisa diferente. Sou o resultado de compulsões e persuasões de toda ordem, sociais e espirituais, resultado de todo o condicionamento do impulso de aquisição; nisso está baseado o meu pensar."

Krishnamurti






sábado, 20 de outubro de 2012

IDENTIFICAÇÃO

O mais incrível deste ensinamento da meditação é que nada é preciso.
Ser o que você é não é uma questão de fazer ou de aperfeiçoar.
Isto iguala a todos, buscadores e pessoas comuns - que na verdade só são diferentes em pensamento.
Aquele que se identifica com o pensamento de forma compulsiva, sofre. Mas sofre demais.
Tudo aquilo que pensamos sobre nós mesmos não vale mais um ovo frito, ou um lasca de amendoim.

Naseeb

Naseeb

REALIDADE VIRTUAL




Awareness (consciência) tem o inacreditável poder de criar formas dela mesma, de forma que ela possa se tornar auto-consciente (consciência se tornando consciente dela mesma). Através desse processo de ela se tornar consciente dela mesma (o que chamamos de evolução da consciência) existe uma habilidade extra: a de se identificar.

Essa habilidade de se identificar significa que qualquer coisa que você se identifica você se torna. Se você se identifica com seu corpo como você, então todas as coisas em sua consciência identificada provarão à você que você é um corpo. Se você se identifica com ser inferior, então todas as coisas em sua experiência produzirão “fatos” que provarão este efeito. Se você se identifica com superioridade então você sentirá, agirá e se comportará de modo superior e orgulhosamente. Nada disso é real a não ser o identificador. É esta identificação que dá nascimento ao mundo.

Quando consciência se torna consciente dela mesma como no caso dos ser humano que é auto-consciente, isto dá nascimento a emoções, personalidade, julgamentos, gostos e desgostos, bom e mau, certo e errado, prazer e dor, e todos os sentimentos. Agora, a grande pergunta é: De onde vem esses sentimentos ?

Eis uma chave: Torne-se disponível para Ter uma experiência direta agora, e deixe todos os pensamentos para trás, e apenas neste momento finja que você nasceu agora e olhe os objetos em volta de você como se fosse a primeira vez, de uma maneira fresca. Se você conseguiu isto, você deve Ter caído num silêncio e num sentimento de leveza. Você sabe porque ? Porque você entrou no PURO SENTIMENTO, que é a natureza da consciência, e que é a natureza de tudo que há – e isto é amor, paz, preenchimento, alegria e todo saber.

Consciência criou o cérebro para que a forma conhecesse e reconhecesse a consciência (origem). A função do cérebro é para o reconhecimento de nossa verdadeira natureza ( e muito poucas pessoas estão conscientes dessa enorme capacidade do cérebro). O cérebro humano é a mais intrincada e complexa entidade em nosso planeta, e talvez a maior ferramenta de todo o universo. Ninguém sabe como o cérebro foi construído, ou como isto vai criando seus neurônios e sistema nervoso. Mas nós estamos interessados em experienciar diretamente aquilo que é, portanto é um fato que o cérebro é uma criação da infinita inteligência para reconhecimento de sua própria natureza. O cérebro nos dá uma idéia de tempo porque ele é linear – ordem sequencial de eventos, pensamentos e ações. Essa capacidade é dada pelo processo da memória. Através do cérebro nós temos a capacidade de transformar puro sentimento (awarness, pura consciência) em experiências tangíveis para nós através dos cinco sentidos, toque, visão, paladar, olfato, visão. Através da identificação com os sentidos nós criamos o mundo do julgamento, comparação, certo e errado, deveria e não deveria, bom emau... Não há nada que nós possamos ver, tocar ou experienciar que não dependas do trabalho das células nervosas. Portanto, estando inconscientes que nós somos únicas expressões da vida e inseparáveis do Todo, muito poucos de nós realizam que nosso cérebro cria, na verdade, uma realidade virtual.


BURT HARDING



segunda-feira, 8 de outubro de 2012

REFLEXÃO

VOCÊ JÁ É!



Os mestres orientais todos concordam com uma coisa: existe uma substância em comum a todos, e podemos chamar ela de Consciência. Todos sabem que existem. Esta existência é o "É".
O que você precisa para Ser? Nada. Já é.
Só o que existe pode pensar numa não existência. Está tudo aqui.
O resto é imaginação.
Em outras palavras esta frase poderia ser: "Páre de sonhar".
E as palavras só apontam...só apontam...


Nattaniel Piva Naseeb

MEDITAÇÃO & VIDA

Meditação em realidade é “realizar” a vida.

O que é realizar a vida? É torná-la real.
Mas por que tornar real a vida?
Porque a vida só é real na medida em que somos reais.
O sábio grego Heráclito disse: "Quando acordados, compartilhamos o ...mesmo universo. Mas quando adormecidos, vivemos um mundo só nosso".

Acordar é viver além da cápsula do ego que torna tudo personalizado demais. Só é possível ver e compreender o outro na liberdade de SI MESMO.


Nattaniel Piva Naseeb

DIFERENÇAS



Todas as diferenças estão nas interpretações da mente.

Que diferença há no silêncio?
O mundo do fazer é o mundo da diferença.
Mas para o fazer conter harmonia ele tem de estar banhado no silêncio.
Este é o caminho do meio:
Nem no mundo, nem fora dele - apenas AQUI AGORA.

Nattaniel Piva

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O IMPENSAVEL




Para quem serve a pergunta QUEM SOU EU?
Ora, todos os mestres recomendam esta pergunta.
Ela deve ter uma GRANDE sacada!
Pois bem: digo o que para mim serviu: derretimento.
Derreter o que?
O resmungador.
O cobrador.
O julgador.
O intérprete que insiste em olhar as coisas como as coisas não são.
Porque o intérprete apenas vê nas coisas o que as coisas FORAM.
Porque quando se olha a realidade, nada daquilo que se viu, se VÊ.
Porque o conhecimento que tenho das coisas me fazem ver as coisas como se elas fossem sempre as mesmas coisas!!!
Uau!
O novo é impensável!!!
QUEM SOU EU?
Isto!

Naseeb

CACOS




O que eh o Zen?
Apenas este momento PLUFT!
A boca fala
Os dedos escrevem
O copo de cristal cai da mesa
O que eh o Zen?
Juntar os cacos!




DE PERTINHO




De pertinho
mas bem de pertinho
cada um eh mais do que um
e se faz presente a raridade de cada ser

De pertinho
o um eh a variedade
e a variedade
está implícita nisso

Naseeb

Meditação sem Meditador




Sente-se em silêncio.
Dance em êxtase.
Mas uma coisa em comum: Desapareça!
Meditação sem meditador.
Dança sem dançarino.
Only this!

Naseeb

MEIO




“"Tudo existe" é um dos extremos." Nada existe" é o outro extremo. Devemos sempre nos manter afastados desses dois extremos, e seguir o Caminho do Meio"  (Buda)

sábado, 8 de setembro de 2012

UPANISHADS



Aqueles que se dedicam tanto à vida no mundo como à meditação superam a morte através da vida

no mundo e atingem a imortalidade através da meditação.
À escuridão estão destinados os que cultuam somente o corpo, e a uma escuridão ainda maior os
que veneram apenas o espírito.
Cultuar somente o corpo leva a um resultado, venerar apenas o espírito leva a outro.
Assim falaram os sábios.
Os que veneram tanto o corpo como o espírito, pelo corpo vencem a morte, e pelo espírito atingem a imortalidade.

UPANISHADS

DHAMMAPADA




124.


Se na sua mão não houver ferida, pode um homem manusear o veneno:

O veneno não afeta o que não tiver ferida;

Não há mal para aquele que não o pratica.

125.

Quem ofende a um ser humano, a um inocente,

A um homem puro e inofensivo,

O mal ricocheteia sobre este mesmo tolo

Como fina poeira lançada contra o vento.

126.

Alguns nascem no útero; os malfeitores, no estado de infortúnio;

O justos vão ao estado de beatitude; os libertos de cancros (morais) passam ao Nirvana.

127.

Nem nos céus, nem no meio do oceano, nem se refugiando no antro d’uma montanha,

Não se conhece lugar nenhum nesta terra onde, permanecendo, possa um homem escapar (das consequências) de sua má ação.

128.

Nem nos céus, nem no meio do oceano, nem se refugiando no antro d’uma montanha,

Não se conhece lugar nenhum nesta terra onde, permanecendo, não seja o homem pela morte subjugado.



Dhammapada*, Cap. IX. – Do Mal.

QUANDO A VONTADE FALHA...




Deverá haver tempos problemáticos em que sua diligência falha, seus desejos se inflamam e a insatisfação faz você desejar que as coisas fossem diferentes do que são atualmente.


Em tempos assim, quando você não consegue se concentrar na prática, reflita sobre a miséria do samsara.

Relembrar a si claramente que o ciclo de existência é completamente permeado pelo sofrimento irá reavivar sua fé e reafirmar sua confiança nos ensinamentos.

Dilgo Khyentse Rinpoche, em “The Hundred Verses of Advice“

DOS VEDAS E DO VEDANTA




O filósofo Arthur Schopenhauer é bastante caricaturizado por sua ética do pessimismo, uma análise bastante crua e despojada de enfeites da realidade. Para ele, os homens vivem confusos, presos e acorrentados em desejos e anseios, sem se importarem em resolver o problema da existência, este sendo o objeto de estudo do sábio.


O eco que Schopenhauer ouviu dos Vedas deu a ele a garantia de que suas conclusões estavam bem apoiadas e tinham o respaldo de mais de 5.000 anos de metafí­sica e ontologia para lhe confortar.

As primeiras traduções dos textos vêdicos, tais como as Upanishads, a Bhagavad Gita, o Vishnu Purana, entre outros, para as lí­nguas ocidentais, foram recebidas com muito satisfação por ele, que se utilizou de muitos termos sânscritos para expressar suas reflexões.

No parágrafo 115 de Parerga e Paralipomena, ele diz o seguinte: “Os leitores de minha ética sabem que, para mim, o fundamento da moral repousa em última instância sobre aquela verdade que está expressa no Veda e Vedanta pela fórmula mí­stica tat twam asi (isto és tu), que é afirmada com referência a todo ser vivo, seja homem ou animal, denominando-se então o Mahavakya, o grande verbo.”

Mais adiante, no mesmo parágrafo, encontramo-lo exaltando com grande entusiasmo a doutrina religiosa dos brahmanes em oposição a pobreza metafí­sica das religiões tradicionais, citando um terceiro: “Monsieur, c’est la vraei religion!”. My fellow-sufferer, soci malorum, compagnon de misères.

Outro ponto interessante de ligação entre eles é a doutrina do sofrimento do mundo. Nos Vedas encontramos muitas afirmações que indicam que a compreensão correta acerca da realidade deste mundo se baseia em sua temporalidade (asasvatam) e em sua condição como um local de inúmeras misérias (duhkalayam). Essa é a compreensão a priori que devemos ter sobre o mundo para não alimentarmos falsas esperanças e ilusões quanto a este. Todos os seres nascem confusos e iludidos pelo prazer e pela dor. São forçados a envelhecer, adoecer e morrer. Seus planos são frustrados pela natureza material, seus apegos arrancados e seus medos muitas vezes realizados. Isso não é um motivo de lamentação para um sábio, mas o é apenas para os tolos, que se identificam com a matéria e suas transformações. Este mundo é o samsara, o ciclo de nascimentos e mortes.

Schopenhauer prescreve uma ética de resignação e profunda sobriedade nos tratos com o mundo e as outras pessoas. O sofrimento é inevitável. Pode ser causado por nosso corpo ou nossa mente, por outros seres vivos, ou por fenômenos naturais que estão além de nosso poder. “Pois o mundo constitui o inferno, e os homens formam em parte os atormentados, e noutra, os demônios.” (p. 156). Reconhecendo tal caracterí­stica e vivenciando-a, a pessoa pode começar a se interessar em buscar o Absoluto. Enquanto está enamorada das ilusões da matéria, tal empreitada torna-se escusa e distante. O papel da filosofia é conduzir os homens à mais perfeita saúde do espí­rito e à consequente felicidade que dela advém. Somente aquele que está a par do funcionamento da “máquina do mundo” pode chegar a tal objetivo, e não aquele que, até mesmo conscientemente, busca se enganar e ser enganado com a falsa propaganda de uma felicidade materialista. Para concluir, seu conselho final quanto a isto é: “Para a paciência na vida e para suportar serenamente os males e os homens, nada pode ser mais útil do que uma recordação budista deste tipo: “Isto é o samsara; o mundo do prazer e do desejo, e portanto, do nascimento, da doença, da velhice e da morte; é o mundo que não deveria ser. E isto aqui é a população do samsara. O que melhor podeis esperar.” Quero prescrever a cada um que repita isto quatro vezes por dia, conscientemente.”

Fonte: http://www.ekadantayoga.com.br/schopenhauer-e-a-filosofia-dos-vedas.html



VEDANTA E SCHOPENHAUER



A conexão do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788 – 1860) com as escolas filosóficas ligadas aos Vedas, milenares escrituras sânscritas, é um dado irrefutável, seja pelas numerosas citações em seus escritos, ou seja pela influência que os conceitos ontológicos e metafí­sicos dos sábios vêdicos podem ter produzido em seu próprio sistema.


Também podemos basear nosso argumento no próprio nome dado pelo filósofo ao seu cão: Atma.

A distinção realizada por Kant entre a coisa-em-si (numenon) e o que se mostra (phainomenon) é um dos pontos de partida para a filosofia de Schopenhauer.

Somos limitados pelo nosso aparato cognitivo (sentidos, mente e inteligência) que apenas apreendem a realidade de um determinado jeito, sob uma série de categorias. A verdade do mundo nunca se mostra inteiramente, e mesmo se se mostrasse, nós não a perceberí­amos em sua plenitude1. Com esse movimento, Kant pretendeu mostrar que os objetos de estudo da metafí­sica, Deus, existência da alma etc, estão além da capacidade cognitiva dos homens. Pela mesma razão, não podemos chegar a um conhecimento seguro sobre tais objetos. Em Schopenhauer isso também se aplica, de certa forma, mas suas reflexões são bastante diferentes das de Kant, e ele chegou a escrever um livro sobre as diferenças de seus sistemas filosóficos. Sua pretensão foi mais longe, ao buscar meios pelo qual o sujeito, aquele que percebe os objetos do mundo e de sua mente, pudesse por alguma maneira acessar a coisa em si, a essência do mundo.


domingo, 26 de agosto de 2012

A BUSCA DO PERMANENTE






É um grande erro pressupor que praticar o darma irá nos ajudar a acalmar e a levar uma vida sem problemas; nada poderia estar mais distante da verdade. Darma não é uma terapia. É bem o oposto na verdade: o darma é algo sob medida para virar sua vida de cabeça para baixo — é justamente isso que você encomendou.
Então, quando sua vida sai completamente do planejado, por que você reclama? Se sua prática e sua vida não capotarem, esse é um sinal de que o que você está fazendo não está funcionando.
É isso que distingue o darma de métodos New Age envolvendo auras, relacionamentos, comunicação, bem-estar, a Criança Interior, ser um com o universo e abraçar árvores. Do ponto de vista do darma, tais interesses são os brinquedos de seres samsáricos — brinquedos que rapidamente nos entediam até a letargia.


Dzongsar Khyentse Rinpoche (Butão, 1961 ~)

A PRÁTICA DO MOMENTO




Buda recomendou que cada pessoa deveria lembrar todos os dias que não estamos aqui para sempre. Somos convidados e essa participação pode ser encerrada a qualquer momento. Não sabemos quando, não temos a menor idéia. Sempre achamos que teremos 75 ou 80 anos, mas quem sabe? Se nos lembrarmos de nossa vulnerabilidade todos os dias, nossas vidas serão preenchidas com o entendimento de que cada momento conta, e não ficaremos tão preocupados com o futuro. Agora é a hora de crescer no caminho espiritual. Se nos lembrarmos disso, sempre teremos uma relação especial com as pessoas à nossa volta. Elas também podem morrer a qualquer momento e, certamente, não gostaríamos que isso acontecesse quando não estamos dirigindo amor a elas. Quando lembramos isso, nossa prática se conecta com o momento e a meditação progride, porque há uma urgência nela. Precisamos agir agora. Só podemos observar esta única respiração, não a próxima.



Ayya Khema, “When the Iron Eagle Flies”. Tradução da newsletter Tricycle’s Daily Dharma, de 12 de Agosto, 2006.

OBSERVAR A MENTE

http://darma.info/trechos/2007/08/observar-mente/

TENZIN PALMO

Há o pensamento, e então a consciência sobre o pensamento. E a diferença entre estar consciente do pensamento e apenas pensar é imensa. É enorme … Normalmente ficamos tão identificados com nossos pensamentos e emoções, que somos eles. Somos a felicidade, somos a raiva, somos o medo. Precisamos aprender a dar um passo para trás e saber que nossos pensamentos e emoções são apenas pensamentos e emoções. Eles são apenas estados mentais. Não são sólidos, são transparentes.


É preciso conhecer isso e então não se identificar com o conhecedor. É preciso saber que o conhecedor não é um alguém. [...]

Você pensa que entendeu quando compreende que você não é o pensamento ou sentimento — no entanto, ir mais adiante e saber que você não é o conhecedor… isso te traz a pergunta: “Quem sou eu?”.

E essa foi a grande compreensão do Buda — entender que quanto mais recuamos, mais aberta e vazia se torna a qualidade de nossa consciência. Em vez de encontrar alguma pequena e sólida entidade eterna — ou seja, o “eu” — recuamos para essa vasta mente espaçosa que está interconectada com todos os seres vivos. Nesse espaço, você precisa perguntar: “onde está o ‘eu’?” e “onde está o ‘outro’?”.

Enquanto estamos no reino da dualidade, há “eu” e “outro”. Essa é nossa ilusão básica — é o que causa todos nossos problemas. Por causa disso temos o sentimento de ser bem separados. Essa é nossa ignorância básica. [...]

Ao compreendermos que a natureza de nossa existência está além de pensamentos e emoções, que é incrivelmente vasta e interconectada com todos os outros seres, então o sentimento de isolamento, separação, medos e esperanças desmorona. É um alívio espantoso!

TENZIN PALMO (Inglaterra, 1943)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

MEDITANDO



Parece que a instrução central na Verdadeira Meditação é simplesmente de respeitar, em silêncio, a consciência ainda. No entanto, muitas vezes eu acha que eu estou preso em minha mente. É bom usar uma meditação mais direcionada como seguir a minha respiração, para que eu tenha algo para se concentrar que vai me ajudar a não ficar perdido na minha mente?
Está perfeitamente OK usar uma técnica mais direcionada, como seguir sua respiração, ou usando um mantra simples ou oração centrante, se você achar que ajuda você a não ficar perdido em pensamentos. Mas sempre esteja inclinado em direção cada vez menos técnicas. Tire um tempo durante cada período de meditação simplesmente para descansar silencioso. A verdadeira meditação é progressivamente deixando de ser um praticante, sem se perder em pensamentos e mais espontaneo.


Adyashanti

REAL MEDITAÇÃO




Real meditação não tem direção ou meta. Ela é pura entrega, pura prece silenciosa. Todos os métodos para se obter um certo estado da mente são limitados, impermanentes e condicionados. A fascinação com estados de consciência alternados leva à escravidão e dependência. Real meditação é permanecer como consciência primordial silenciosa.

Adyashanti

terça-feira, 31 de julho de 2012

O ESFORÇO E A VISÃO



Muito interessante este trecho de uma conversa de Lama Padma Santem sobre o esforço e porque a visão do ensinamento é tão importante de ser desenvolvida junto com as práticas e disciplinas.

"O aspecto do esforço é dramático. De tanto nos esforçarmos, um dia cansamos; quando chegamos nesse ponto, a queda é rápida, e dizemos: "Desisto. Se a espiritualidade fosse natural, eu andaria de forma naturalmente lúcida e válida. No entanto, tudo isso me parece artificial". Parece artificial porque precisamos de esforço constante, nunca encontramos um ponto de equilíbrio, precisamos constantemente relembrar o que ouvimos. De tanto esforço, terminamos desistindo.


Equivocadamente, podemos acreditar que a realidade convencional é muito poderosa, muito abrangente. Podemos pensar que, mesmo construindo uma realidade mais elevada, o que existe mesmo é a realidade convencional de dificuldades e sofrimento. Acabamos por desistir de tentar melhorar a nós mesmos e o mundo.

O caminho de tentar alterar o comportamento pode ser muito penoso, muito lento e, principalmente, de resultados incertos. Se a pessoa alterar o comportamento sem alterar a visão, é certo que mais adiante cairá novamente. O aspecto cíclico é um processo natural da vida, passamos por altos e baixos. Apenas a partir das mandalas de sabedoria teremos efetivamente a visão que permite a ação sem esforço. A visão surge sem esforço porque dentro de uma mandala de sabedoria não lutamos contra nós mesmos, mas vemos e agimos naturalmente. O caminho espiritual se manifesta sem conflitos internos.

Ao se começar pelo treinamento e pelo enquadramento a regras, compromissos e ações, surgem a repressão interna e a disciplina externa. O conflito torna-se inevitável, e o esforço será incessante, desgastante. Temos ações coerentes com nossa visão. Se formos treinados para ações que não estão harmonizadas com nossa visão de mundo, essas ações não terão força.

Eu pude observar meninos que aprendem a tocar violino em instituições para menores infratores. Aprender música é maravilhoso. Mas, quando os meninos saem da instituição, o violino torna-se inútil para eles. Muito frequentemente eles retornam à visão que os levou a praticar as ações que os conduziram à instituição. Mesmo tocando violino, as visões que eles têm do mundo, da família e do bairro não mudaram. Dentro da sua realidade, dentro de sua forma de olhar o mundo, dentro de sua mandala limitada, vender drogas naturalmente faz muito mais sentido do que tocar violino.

Assim, é essencial gerarmos uma visão de mundo para que as ações surjam de forma natural, sem esforço e sem contradições. As visões de mundo, que podem ser geradas individual e socialmente, potencializam as ações. "

INTERDEPENDENCIA






Sua Santidade o Dalai Lama costuma resumir a filosofia budista em uma frase: "Faça o bem sempre que possível; se não puder fazer o bem, tente não fazer o mal". Uma das especialidades do budismo é a noção de que o mundo que nos circunda é inseparável de nós mesmos. Assim, se fazemos o bem para os demais seres e para o ambiente, estamos cuidando de nosso próprio bem. Se causamos mal aos outros e ao ambiente, estamos causando mal a nós mesmos. Todos estão ligados uns aos outros, todos dependem uns dos outros.


O conceito de interdependência budista também sustenta que nós – e tudo o que nos circunda – não temos a solidez que julgamos possuir. Atribuímos identidades e qualidades a tudo e a todos (inclusive a nós mesmos) a partir de uma visão limitada por um padrão binário de gostar e não gostar, querer e não querer.

Padma Santem

sexta-feira, 27 de julho de 2012

PRESENÇA


O mundo é feito de energia e vibrações, assim como você. Energia está sempre em movimento. Sua mente e seu corpo sempre estarão mudando. O que não muda é o que você é: espírito, presença. Você precisa conhecer a si mesmo diretamente para reforçar essa identidade de presença e deixar em segundo plano de uma vez por todas a sua identidade como ego. Este treinamento é o que chamamos de prática. 
Sambodh Naseeb

PAZ



 
 
A paz mencionada pelos mestres iluminados nunca é uma paz mental. A paz mental tem uma fragilidade inerente. Por quê? Porque paz mental é baseada em pensamentos. Se pensamentos são vibrações, obviamente estão sujeitos à mudança contínua. Logo, esta paz mental está sujeita à impermanência. Não pode ser de longa duração. A paz mental tem uma duração no tempo e existe sob circunstâncias. Aquilo que você é e que é totalmente silencioso exatamente agora não é mental. Ver isto é meditação, porque traz benefícios naturais de bem estar e serenidade no presente.
Sambodh Naseeb



quarta-feira, 25 de julho de 2012

SILÊNCIO/EU;CONSCIÊNCIA




No silêncio

Nem eu nem você
Só Amor - SÓ SER
que só existe
quando
nem eu nem você, existirmos.
Mas o que
não se envolve nas mudanças?
No silêncio
essa consciência pacífica é vivenciada
pelo Silêncio...como Silêncio...
Além do "eu e você"
repousa o que Somos
primariamente.
E voltar atenção a isso
é se dar de cara com o silêncio almejado do eu real.








PRESENÇA OCULTA

Ainda fico pasmo com a magia dos ensinamentos simples da não dualidade ou Advaita. O simples questionamento em relação ao eu. Diga: "O que é este eu?" ao invés de "Quem sou eu", porque desse modo você nem personaliza para depois despersonalizar. "O que é este eu?" revela uma consciência/inteligência pré/mental. Eu não sou parte da vida. Eu sou a vida. Uma parte da vida pode ser o corpo, mas o corpo por si só não se define! A mente? Mas a mente é dependente da consciência. ela não tem existência independente, e por isso, não existe EM SI. algo que, para existir, necessita de outro algo ou outros "algos", o que os antigos orientais chamariam de "ilusão". Ilusão apenas por não possuir natureza independente. O pensamento depende da consciência. Volte para a Fonte e Seja. Apenas isso. Os olhos vêem, os ouvidos ouvem, a pele toca. Sem nenhuma interpretação. Silêncio.

Naseeb

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O AMOR





É Consciência reconhecendo Consciência.
É quando o seu corpo e sua mente se dissolvem, e o nascido é a alegria do Agora.
É quando qualquer objeto, um por do sol, uma nuvem, um cãozinho, ou uma pessoa...nos apontam para a real natureza do nosso coração.

O Amor é Aquilo que permanece quando tudo derrete no tempo.


Naseeb



sábado, 21 de julho de 2012

SILENCIO E A RESPOSTA



Reflita: O que é relativo não tem existência em si.
O relativo existe pelo seu oposto.
O alto pode existir sem o baixo?
O pequeno pode existir sem o grande?
O feio sem o bonito?

Portanto, quando vmaos responder a pergunta "Quem sou eu?",
queremos uma resposta absoluta, e nao relativa.

Quem sou eu absolutamente?
E deixe que resposta lhe traga o silencio...

Essa investigacao, quando bem feita,
lhe conecta novamente a Fonte.


Naseeb

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O HOMEM



Enquanto o homem nobre vive em confiança e sinceridade para consigo mesmo, o homem de ressentimento não é nem probo, nem ingênuo, nem franco e leal consigo mesmo. Sua alma se enverga...

Nietzsche

segunda-feira, 16 de julho de 2012

VIVER CADA MOMENTO






Um sábio não é um buscador. O buscador ainda está em busca de paz, ainda está evitando sofrer. O sábio não evita mais nada, apenas e simplesmente deixou de se incomodar com as polaridades da vida – com a tristeza e a alegria.. Aceitou a dualidade do viver. Não porque ele tem muito conhecimento, mas porque seu coração falou tão alto que o sentido da vida agora é o viver de cada momento. Então, na simplicidade, no momento a momento, vai se descobrindo que a vida nos oferece a cada instante dádivas não vistas, pois o apego aos pensamentos/desejos não nos deixa ver e sentir o coração amoroso que  somos Agora.


Sambodh Naseeb

domingo, 15 de julho de 2012

NATUREZA




Nós não somos "parte" da natureza.
Nós SOMOS a natureza!
Nós não somos "parte" do Divino.
Nós SOMOS o Divino.

Naseeb

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A JORNADA NÃO TEM TEMPO



Sim, o mestre zen Basho dizia: "O caminho não tem distância". Verdade, a jornada não tem tempo. Ela começa agora e termina agora. A mente teima em entrar na duração. E a vida insiste em ser ela mesma: sem tempo. Começo, meio e fim são conceitos da mente. O meditador deve observar com cuidado para onde está indo. de modo que não se distancie ainda mais de si mesmo. E lembrar-se que meditação é retornar ao momento. Passo a passo. Se você está indo a algum lugar e ainda se diz um meditador, isto é ilusão, dizia Basho. A intimidade com a vida é criada quando a Graça do presente ressurge.

Sambodh Naseeb




domingo, 13 de maio de 2012

BUDDAFIELD

“Um mestre é de tremenda ajuda, e se o mestre também tiver um Buddhafield... Um mestre pode se movimentar sozinho, sem criar um Buddhafield. Para criar um Buddhafield, o mestre tem que criar milhares de discípulos. Ele tem que criar uma energia multidimensional na qual todos os tipos de pessoas contribuem, derramam sua energia. Ele tem que fazer um oceano de energia, tão tremendamente poderoso que qualquer um que entrar nesse oceano poderá ser transformado – algumas vezes apesar delas mesmas, algumas vezes sem mesmo elas saberem o que está acontecendo. É fácil acontecer isto com um mestre. É ainda mais fácil acontecer isto com um mestre que tem um Buddhafield. E meu esforço é não apenas criar um Buddhafield aqui, mas criar pequenos oásis por todo o mundo. Eu não gostaria de confinar esta tremenda possibilidade a esta pequena comuna aqui apenas. Esta comuna será a fonte, mas ela terá ramificações por todo o mundo. Ela será a raiz, mas ela se tornará uma grande árvore. Ela vai alcançar todos os países, ela vai alcançar todas as pessoas que tenham o potencial. Nós criaremos pequenos oásis; nós já começamos a criar pequenas comunas e centros por todo o mundo. Quase duzentas pequenas famílias já estão funcionando por todo o mundo, mas isto é apenas o começo. Milhares de comunas irão acontecer, uma vez que esta comuna se torne realmente e totalmente estabelecida. Isto irá criar um tal ímpeto, que irá criar uma vontade de que tenhamos muitas comunas por todo o mundo. E onde quer que meus sannyasins estejam juntos, eu estarei lá. Onde quer que eles estejam sentados em meditação, minha presença será sentida. Assim, nós temos que criar a raiz e em seguida as ramificações. O mundo todo não pode vir até aqui, mas nós podemos enviar nossos mensageiros, nossos apóstolos; nós podemos enviar nossas ramificações para longe e para locais variados.Nós podemos cobrir toda a terra. Nós já estamos cobrindo toda a terra. Isto tem uma imensa importância hoje, pois se isto não acontecer, a humanidade não terá futuro. O ‘velho homem’ já está morto, vocês estão carregando um cadáver. O novo homem é absolutamente necessário – somente assim esta terra continuará vivendo, somente assim este planeta permanecerá vivo. E o homem tem a capacidade de renovar a si mesmo – de morrer para o passado e renascer. O homem tem a capacidade de ressurreição. Mas a terra hoje está quase como um deserto e pequenos oásis são necessários em todo lugar, de modo que aqueles que têm sede não possam dizer, ‘O que nós podemos fazer? A água não está disponível. Como poderemos saciar nossa sede?’ Nos temos que fazer com que Deus esteja disponível a todo buscador possível, em todo o mundo.” OSHO – The Dhammapada – The Way of the Buddha – cap. 6

sábado, 21 de abril de 2012

DEVOÇÃO

Seja gentil com todos e você não sentirá necessidade de nada. A compaixão por todos os seres é a melhor maneira de destruir a rede da Ilusão. Não há nenhum pecado pior do que a fofoca maldosa. Fale bem, mas nunca fale mal dos outros. Aquele que acusa os outros jamais conseguirá um bom alimento para comer. Se você quer boa comida você deveria falar boas palavras. Aquele que fala lixo come lixo. A língua que não fala de maneira doce não obtém alimento doce. As escrituras dizem que as pessoas de língua maligna nascem como porcos e comem esterco na próxima vida. Aquele que fala coisas boas e verdadeiras tem o poder da fala que é sempre verdadeira.O senhor Krishna disse: “Ordenei que o caminho da devoção fosse muito puro. Não há dificuldade na devoção e o devoto obtém êxito. Mesmo que haja muitos livros sagrados e religiosos, o caminho da devoção é maior que todos eles. O buscador é ajudado por todos e as calamidades jamais mostram sua face para ele. Ele sabe que ele, que todos os seres do mundo e Paramatman são um. Assim como a serpente tem medo da águia e o homem tem medo da morte, as calamidades têm medo do devoto. Querido Uddhava, este é meu caminho da devoção, do qual não falei nem para minha mãe, mas agora falei a você.” (Siddharameshwar Maharaj)

O SER SUPREMO QUE SOMOS

Não deveríamos nos sentir tristes quando acontece algo que não gostamos. Se tudo é Deus e vem de Deus, qual é a diferença e onde ela está? Deveríamos saber disso plenamente. Saber que tudo é Deus é a verdadeira Devoção da mente. Um homem pode pertencer a uma casta inferior, a chamada casta do intocáveis, ou pode ser muito mal em seu comportamento, mas em seu estado original ele ainda é Deus. Nele é apenas Deus que torna sua existência possível. Deus significa que nós mesmos somos o Ser Supremo, Paramatman. Somos aquela fundação sobre a qual todas as experiências acontecem. Paramatman não termina, mas as experiências começam e terminam. Aquela Consciência que é a ciência (awareness) sutil presente no início e no fim das experiências é chamada de Ser ou Atman e esse pano de fundo sobre o qual todas as experiências acontecem é chamado de Paramatman (Para significa além de, anterior a). Aquilo que permanece depois da experiência, que existe antes da experiência começar e depois dela terminar somos nós, Paramatman. “Essa Raiz de todas as coisas” não é destrutível. (Siddharameshwar Maharaj)

TODA A LUZ

Segundo os Vedas, o Incondicionado está além do mundo das condições. Que proveito há em discutir se Ele está além de todas as coisas ou em todas as coisas? Veja tudo como sendo Seu próprio lugar de moradia e a névoa do prazer e dor jamais entrará nela. Aí Brahma é revelado dia e noite. Aí a luz é Sua vestimenta, a luz é Seu assento, a luz repousa sobre Sua cabeça. Kabir diz: "O mestre que é verdadeiro é toda a luz." Kabir

ENERGIA CRIATIVA DA FONTE

Sua experiencia da realidade é moldada pela interpretação que você tem dela. Mude as crenças que você sustenta sobre a realidade, e seu mundo será transformado. Cada um de nós é um criador de realidades. Descubra a fonte dessa energia criativa, e você descobrirá a essência do REAL. Metta Zetti

O ESPÍRITO JOGADOR

Mas há uma saída para esse sofrimento, um caminho para livrar-se dos opostos, que envolve o entendimento direto e irresistível que o Espírito não é bem versus mal, ou prazer versus dor, ou luz versus escuridão, ou vida versus morte, ou todo versus parte, ou holístico versus analítico. O Espírito é o grande Jogador que dá origem a todos os opostos igualmente – “Eu, o Senhor, faço a Luz iluminar tanto o bom como o mau; Eu, o Senhor, faço todas as coisas” – e os místicos do mundo inteiro concordam. O Espírito não é a metade boa de todos os opostos, mas sim a essência de todos os opostos, e nossa “salvação”, por assim dizer, não está em encontrar a metade boa do dualismo e sim achar a Fonte de ambas as metades do dualismo, porque, em verdade, é isso que realmente somos. Somos ambos os lados no grande Jogo da Vida, porque – no mais fundo do nosso verdadeiro Eu – criamos ambos os opostos com o objetivo de jogarmos um grande jogo de damas cósmico. KEN WILBER

JANTAR SOZINHO NÃO TEM GRAÇA

KW:Se você é o Um e – enfastiado da mais pura exuberância, plenitude, superabundância – quer jogar, alegrar-se, divertir-se, então, primeiro, deve manifestar "os muitos", "a variedade da manifestação", "a criação". E depois, em segundo lugar, esquecer-se que é isso -os Muitos. De outro modo, não há jogo. Criação (manifestação, encarnação) é o grande Jogo do Um fazendo de conta que é o aparente, por puro esporte e diversão. P: Mas não é sempre divertido. KW: Bem, sim e não. O mundo manifesto é um mundo de opostos – de prazer versus dor, acima versus abaixo, bem versus mal, sujeito versus objeto, luz versus sombra. Mas se você quer jogar o grande Jogo Cósmico, aquele que você mesmo criou, o que mais pode fazer? Se não há divisões, nem jogadores, nem sofrimento e nem Muito, então você simplesmente se mantém como o Um e Único, Solitário e Indiferente. Mas jantar sozinho não tem graça. KEN WILBER

OS LIMITES DA PERCEPÇÃO

"Qualquer coisa que nós vemos é limitada, qualquer coisa que nós sentimos é limitada, todas as percepções são limitadas. Mas se você puder estar consciente, então, toda coisa limitada estará desaparecendo no ilimitado. Olhe para o céu. Você verá uma parte limitada dele, não porque o céu seja limitado, mas porque os seus olhos são limitados, o seu foco é limitado. Mas se você puder tornar-se consciente de que essa limitação é por causa do foco, por causa de seus olhos, que não é o céu que é limitado, então você verá os limites fundindo-se com o ilimitado. Qualquer coisa que nós vemos torna-se limitado por causa de nossa visão. Fora isso a existência é ilimitada, fora isso tudo está se dissolvendo em alguma outra coisa. Tudo está perdendo os seus limites, a todo momento as ondas estão desaparecendo dentro do oceano, e não há qualquer fim para coisa alguma, e não há qualquer começo. Todas as coisas são todas as coisas. (...) Assim, sempre que você vir alguma coisa limitada, lembre-se de que além do limite ela está desaparecendo, a limitação está desaparecendo. Sempre olhe além e além. Então, você pode fazer uma meditação. Simplesmente sente-se debaixo de uma árvore e olhe. Qualquer coisa que vier à sua visão, vá além, olhe além e não pare em lugar algum. Simplesmente descubra onde essa árvore está se dissolvendo. Esta árvore, esta pequena árvore em seu jardim, tem toda a existência dentro dela. Ela está se dissolvendo a todo instante. Se o Sol não nascer amanhã, esta árvore morrerá, porque a vida desta árvore está junta com a vida do Sol. A distância entre eles é muito grande; para os raios do Sol atingirem a Terra leva tempo, um tempo de dez minutos. Um tempo de dez minutos é muito longo, porque a luz se propaga numa velocidade tremendamente rápida. A luz se propaga a uma velocidade de cento e oitenta e seis mil milhas num segundo e ela, partindo do Sol, leva 10 minutos para alcançar esta árvore. A distância é tremenda, é vasta. Mas se o Sol não estiver mais lá, esta árvore imediatamente desaparecerá. Eles existem juntos. A árvore está se dissolvendo a cada momento no Sol e o Sol está se dissolvendo na árvore. A todo momento o Sol está entrando na árvore, fazendo-a viver. Uma outra coisa é ainda desconhecida pela ciência, mas a religião diz que está acontecendo: é que na vida nada pode existir sem resposta. Se o Sol está dando vida à árvore, a árvore deve estar devolvendo vida ao Sol, porque na vida existe sempre uma resposta e a energia equaliza. A árvore deve estar dando vida ao Sol. Eles são um. Então, a árvore desaparece, a limitação desaparece. Sempre que você olhar, olhe para o além e não pare em lugar algum. Continue e continue até você perder a sua mente, até você perder todos os seus padrões limitados. De repente, você estará iluminado. Toda a existência é uma unidade. Essa unidade é a meta. E, de repente, a mente estará cansada de padrões, limitações, fronteiras. E na medida em que você continua insistindo em ir além, puxando para além e além, a mente escorrega. De repente ela desiste, e você olha para a existência como uma vasta unidade, todas as coisas se dissolvendo em outras coisas, todas as coisas se transformando em outras coisas. Você pode fazer uma meditação a partir disso. Sente-se por uma hora e trabalhe com isso. Não crie limitação em lugar algum. Qualquer que seja a limitação, tente encontrar o além e mova-se para lá e continue movendo-se. Logo a mente ficará cansada, porque a mente não agüenta o ilimitado. Somente com o limitado ela pode se relacionar. Com o ilimitado ela não consegue se relacionar. Ela fica entediada, ela fica cansada. Aí ela diz: 'Chega! Agora pare!' Mas não pare, continue se movendo. Chegará o momento em que a mente ficará para trás e somente a consciência estará se movendo. Nesse momento você terá a iluminação da unidade, da não-dualidade. Essa é a meta. Esse é o pico mais alto da consciência. E esse é o maior êxtase possível para a mente humana e a mais profunda felicidade." (OSHO)