domingo, 26 de agosto de 2012

A BUSCA DO PERMANENTE






É um grande erro pressupor que praticar o darma irá nos ajudar a acalmar e a levar uma vida sem problemas; nada poderia estar mais distante da verdade. Darma não é uma terapia. É bem o oposto na verdade: o darma é algo sob medida para virar sua vida de cabeça para baixo — é justamente isso que você encomendou.
Então, quando sua vida sai completamente do planejado, por que você reclama? Se sua prática e sua vida não capotarem, esse é um sinal de que o que você está fazendo não está funcionando.
É isso que distingue o darma de métodos New Age envolvendo auras, relacionamentos, comunicação, bem-estar, a Criança Interior, ser um com o universo e abraçar árvores. Do ponto de vista do darma, tais interesses são os brinquedos de seres samsáricos — brinquedos que rapidamente nos entediam até a letargia.


Dzongsar Khyentse Rinpoche (Butão, 1961 ~)

A PRÁTICA DO MOMENTO




Buda recomendou que cada pessoa deveria lembrar todos os dias que não estamos aqui para sempre. Somos convidados e essa participação pode ser encerrada a qualquer momento. Não sabemos quando, não temos a menor idéia. Sempre achamos que teremos 75 ou 80 anos, mas quem sabe? Se nos lembrarmos de nossa vulnerabilidade todos os dias, nossas vidas serão preenchidas com o entendimento de que cada momento conta, e não ficaremos tão preocupados com o futuro. Agora é a hora de crescer no caminho espiritual. Se nos lembrarmos disso, sempre teremos uma relação especial com as pessoas à nossa volta. Elas também podem morrer a qualquer momento e, certamente, não gostaríamos que isso acontecesse quando não estamos dirigindo amor a elas. Quando lembramos isso, nossa prática se conecta com o momento e a meditação progride, porque há uma urgência nela. Precisamos agir agora. Só podemos observar esta única respiração, não a próxima.



Ayya Khema, “When the Iron Eagle Flies”. Tradução da newsletter Tricycle’s Daily Dharma, de 12 de Agosto, 2006.

OBSERVAR A MENTE

http://darma.info/trechos/2007/08/observar-mente/

TENZIN PALMO

Há o pensamento, e então a consciência sobre o pensamento. E a diferença entre estar consciente do pensamento e apenas pensar é imensa. É enorme … Normalmente ficamos tão identificados com nossos pensamentos e emoções, que somos eles. Somos a felicidade, somos a raiva, somos o medo. Precisamos aprender a dar um passo para trás e saber que nossos pensamentos e emoções são apenas pensamentos e emoções. Eles são apenas estados mentais. Não são sólidos, são transparentes.


É preciso conhecer isso e então não se identificar com o conhecedor. É preciso saber que o conhecedor não é um alguém. [...]

Você pensa que entendeu quando compreende que você não é o pensamento ou sentimento — no entanto, ir mais adiante e saber que você não é o conhecedor… isso te traz a pergunta: “Quem sou eu?”.

E essa foi a grande compreensão do Buda — entender que quanto mais recuamos, mais aberta e vazia se torna a qualidade de nossa consciência. Em vez de encontrar alguma pequena e sólida entidade eterna — ou seja, o “eu” — recuamos para essa vasta mente espaçosa que está interconectada com todos os seres vivos. Nesse espaço, você precisa perguntar: “onde está o ‘eu’?” e “onde está o ‘outro’?”.

Enquanto estamos no reino da dualidade, há “eu” e “outro”. Essa é nossa ilusão básica — é o que causa todos nossos problemas. Por causa disso temos o sentimento de ser bem separados. Essa é nossa ignorância básica. [...]

Ao compreendermos que a natureza de nossa existência está além de pensamentos e emoções, que é incrivelmente vasta e interconectada com todos os outros seres, então o sentimento de isolamento, separação, medos e esperanças desmorona. É um alívio espantoso!

TENZIN PALMO (Inglaterra, 1943)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

MEDITANDO



Parece que a instrução central na Verdadeira Meditação é simplesmente de respeitar, em silêncio, a consciência ainda. No entanto, muitas vezes eu acha que eu estou preso em minha mente. É bom usar uma meditação mais direcionada como seguir a minha respiração, para que eu tenha algo para se concentrar que vai me ajudar a não ficar perdido na minha mente?
Está perfeitamente OK usar uma técnica mais direcionada, como seguir sua respiração, ou usando um mantra simples ou oração centrante, se você achar que ajuda você a não ficar perdido em pensamentos. Mas sempre esteja inclinado em direção cada vez menos técnicas. Tire um tempo durante cada período de meditação simplesmente para descansar silencioso. A verdadeira meditação é progressivamente deixando de ser um praticante, sem se perder em pensamentos e mais espontaneo.


Adyashanti

REAL MEDITAÇÃO




Real meditação não tem direção ou meta. Ela é pura entrega, pura prece silenciosa. Todos os métodos para se obter um certo estado da mente são limitados, impermanentes e condicionados. A fascinação com estados de consciência alternados leva à escravidão e dependência. Real meditação é permanecer como consciência primordial silenciosa.

Adyashanti