quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

OS TRÊS VENENOS


Existem três venenos para o ser humano: a ganância, a raiva e a ignorância; e eles podem pegar qualquer um de nós. E quando alguém está envenenado, como um bom médico, nós não vamos ficar com raiva da pessoa com veneno, nós não vamos querer destruir a pessoa que está envenenada, mas nós temos que procurar o antídoto. Da ganância, o contrário é a boa ação, o que minha vida tem a oferecer ao mundo? A minha superiora dizia "que a vida dela fosse como uma lâmpada acessa e que se queimasse na sua própria existência queimando para iluminar todos os seres, para oferecer alguma coisa, um pouco de luz, de calor, de sabedoria", não o que vou tirar para mim, mas o que eu ofereço, a minha vida para o bem de todos os seres. É um dos primeiros passos, o contrário da ganância, de "vou pegar coisas, eu preciso coisas". Elas passam por mim, eu passo por elas, e fico a disposição de servir.
A raiva é forte, ela vem e nos pega, nos aperta, esquenta, contrai a musculatura. Por isso é tão importante o trabalho do yoga, ele trabalha com a essência do ser, vai em cada pedaço do seu corpo, para você soltar as amarras emocionais, espirituais, se transformar - é preciso isso. A raiva é uma contração muscular, é um processo respiratório; nós podemos transformar a raiva através da respiração consciente. E mais importante, como diz Dalai Lama, é como é que transformamos a raiva em compaixão, em compreensão. Eu sempre repito um episódio do Dalai Lama, que adoro, e que diz de um monge que havia sido preso, torturado, e que finalmente foi solto, quando houve a invasão do Tibet. Dalai Lama, estava em Dharamsala, na Índia, e esse monge chegou até ele, e sua santidade pergunta a ele "meu filho o que foi mais terrível para você durante esses anos de prisão de tortura, o que foi pior?" e ele responde que "por um breve instante quase deixei de sentir compaixão por aquele que me torturava; isso é apavorante! se o meu coração de compaixão se fechar... disso eu tive medo". Eu acho que isso, essa é a transformação de raiva em compaixão.

Monja Coen

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