sexta-feira, 16 de março de 2012

O CAMINHO DO CORAÇÃO ABERTO



Em alguns círculos "espirituais" costuma-se dar ênfase ao lado negativo da mente. Diz-se que a mente é o problema, que a mente é a única inimiga, e nós colocamos nosso foco na percepção errônea da cena. Na verdade, a mente é como a internet. Nós acessamos uma vasta informação desse modo. E me parece que a mente funciona da mesma forma. Assim como um homem de mau caráter estuda na internet modos melhores de fazer torturas, uma outra pessoa está na mesma internet procurando ampliar seus conhecimentos em cura holística para ajudar os outros. A internet é uma rede. No meu modo de ver, a mente é uma rede também, e de semelhante forma. Nós sentimos muitas vezes que nos comunicamos uns com os outros não só quando estamos perto dos outros, não é mesmo? A mente é algo que existe em tudo, dizem os monistas. O filme todo da vida existe dentro da mente cósmica, dizem alguns sábios, como o hindu Shankara. Shankara diz que tudo que existe é consciência, e que esta consciência cria um duplo de si mesma, como criar um espelho, a mente, para que possa haver conhecimento (relação de sujeito - ego, corpomente - com objeto, os outros e o mundo.) Se a mente é uma internet viva, então quem é o programador ou o OBSERVADOR do filme que você vê? Se você fecha os olhos você vê que fica mais fácil acessar certas experiências. E possível sentir-se sem corpo, de olhos fechados. E quando você não tem mais a referência corpo, você pode começar a fazer investigações bem interessantes. É por isso que os mestres orientais chamam tanto a atenção para a meditação e o relaxamento corporal. Porque quanto mais relaxados e menos tensos vivemos, menos sentimos nossos corpos. E todos nós sabemos o que é viver leve e o viver com o corpo pesado.


Tem dias que acordamos leves, muito leves, que parece que o corpo muda de peso. É impressionante. Os pensamentos confusos "pesam". A mente se fazendo clara e o corpo estando leve geram pensamentos claros e leves, que chamamos de lúcidos. E quando estamos lúcidos caímos em menos armadilhas. Não somos mais tão enganados por nós mesmos por estarmos dormindo, desatentos, sem presença.


Então retornando...de olhos fechados é possível se dar conta de que tudo que você experiencia , incluindo você mesmo, sensações, emoções/sentimentos, pensamentos, tudo isso, PODE SER OBSERVADO. É possível apenas notar, perceber, sem julgar. Apenas observar a experiência, sem julgamento nem nada. Se tudo pode ser observado, isso não pode te definir, porque isso é passageiro. Tudo que estou vendo é passageiro. Quem observa o passageiro? Há alguma coisa que observa as reações do corpo mente quando fecho os olhos. O que é isso? O que é isso que testemunha o que está acontecendo. O que é isso que nota os pensamentos? Esta é uma pergunta interessante. É um começo da autoinvestigação, dentro do Advaita de Ramana Maharshi. Quando eu me pergunto "Quem sou Eu?", então eu estou indo em busca do verdadeiro sujeito, do eu verdadeiro, aquele eu que realmente centra a mente/coração e dá lucidez aos passos. Porque quando há verdadeiro eu, há inteireza e lucidez. Você abre o coração (que significa uma inteligência que não está divorciada do autoconhecimento e da sensação de paz interna). Na verdade, o que a autoinvestigação faz, àqueles que tem ressonãncia que esta prática de compreensão, é revelar a mais pura essência silenciosa de nós mesmos neste mesmo instante - sem tempo. E isso não é uma crença. É uma experiência. Você não precisa acreditar em nada. Mas você precisa estar aberto para explorar, investigar. Precisa ser agnóstico. Nem a favor, nem contra. E estar aberto às experiências novas. Crenças obstruem a inteligência e o caminho evolutivo. Acredito que o novo modelo de espiritualidade no mundo será assim, baseado em experimentos vivenciais. A meditação e o Reiki, só para citar dois exemplos, são hoje duas modalidades de autoconhecimento que trabalham corpo/mente/espírito, sendo a técnica meditativa observada há muitos e muitos anos pela ciência. A medicina já se rendeu aos benefícios corporais, mas ela é muito mais. Meditação é uma abertura para a lucidez. Os sábios taoístas chineses diziam que a mente esclarecida é a mente meditativa. Ela não tem virtude, ela É virtude. Ela não tem amor, ela É amor."


Abrir o coração significa estar disponível à vida. Quando você não está no coração, o que significa? Isso significa que não estás em contato contigo mesmo, porque coração revela um contato íntimo consigo, de modo a estar aberto às experiências da vida em fluidez. Estar centrado no coração é o mesmo que estar meditativo. A mente é uma ótima serva, e uma péssima mestra. O caminho do coração lhe revela que a conexão do coração e a mente é o que deixa a mente racional e intelectual muito mais afiada e lúcida. Com esta conexão mentecoração, há uma completude.


Nattaniel Naseeb

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