sexta-feira, 26 de junho de 2015

O AGORA ROUBADO


A ideologia do “novo”, da "modernização", da mudança, é o espírito central da atual globalização. Não há mais tempo para o desfrute do agora, deste momento limpo e perfeito que temos para celebrar e desfrutar a vida, deste instante já posto, aqui, acontecido já para nosso próprio deleite. O Agora foi roubado e substituído como uma promessa que tem custo, uma promessa de felicidade e glamour que nunca acontece.
A grande questão é que não há o desfrutador para desfrutar do ISTO. O desfrutador deu lugar àquele que está esperando desfrutar, àquele que não existe mais como sujeito, pois quem está esperando não pode ser o sujeito-agora, apenas pode ser o sujeito-amanhã, e este sujeito-amanhã não existe. Ele é criado pelo sistema. Ele é o eco da manutenção do sistema. Ele não é nunca um sujeito puro. É sujeito midiático. É objeto. Nunca é meio. É o fim sem nunca ser nada. É oco. Vazio inexistente.
Por isso, a ausência do sujeito na sociedade de consumo é de básica importância. É desse modo que o vazio pode procurar bens e objetos de forma a jamais saciar-se ou se completar com eles. Este círculo vicioso é a manutenção da eterna demanda de produção dos bens de consumo, ilusão vil e viciante, que enfraquece a mente e empobrece a subjetividade de tal forma que o sujeito passe a desacreditar que a existência possa ter algum sentido fora desta matriz modelo.
SAMBODH NASEEB

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