segunda-feira, 30 de abril de 2018

O JOGO DA VIDA



Quando compartilho a visão da unidade, o não-dualismo ou no ensinamento advaita, há um apontamento que julgo muito importante: o conceito de que o universo e toda a sua multiplicidade são, em definitivo e em última instância, expressões multidimensionais de uma única realidade. A mente tem a função de analisar e rotular todos os pensamentos. Dividimos, arbitrariamente, o momento sagrado (o Agora), em passado, presente e futuro. O resultado disso é separar aquilo que em essência não tem divisão: a Realidade. Dividimos a realidade em sujeito que pensa e objetos pensados, entre o ego-eu-pessoa-pensamento e o mundo.
Essa divisão é o começo da falsa estrutura (ego) que separa tudo, e que julga ter o poder de guiar a própria vida. E no entanto, é regido por emoções, sentimentos e pensamentos muito mais fortes que qualquer tipo de controle do ego.
No estruturamento do ego, separa-se internamente, na psiquê, o que não é repartido. Separa-se a vida de nós mesmos (em sua mente). O jogo começa assim: algo deve acontecer: identificação e limitação. O jogo da vida acontece dentro da consciência, dura um tempo, e desaparece. Porém, nada acontece à consciência. A consciência é todas essas formas evoluindo e involuindo. Por isso, em realidade, nada se perde, pois tudo é a consciência em todos os momentos. Tudo está acontecendo dentro do campo consciente que você é, em múltiplas dimensões do que eu sou. Não é preciso nada para ser isto. Você já é. Agora, ponha atenção nisso. Você é aquilo que contém tudo isso. Não algo particular. Mas universal.
 Geralmente nos envolvemos com uma onda em particular, mas podemos nos dar conta de que a nossa essência é sempre o mesmo oceano. A visão da unidade ou o não-dualismo indica sua seta sempre para a unidade, a essência que permeia o oceano e as ondas, e não para as qualidades individuais de cada onda (que são imaginadas apenas pela mente). Neste ensinamento, aprendemos a nos reconhecer como espaço consciente. Note isso. Já é agora. Antes da próxima respiração. Já é.

Sambodh Naseeb


Um comentário:

Virando a Chave disse...

Eis o desafio: deixar de ser algo em particular para dissolver no todo que somos em essência! gratidão!