SAMBODH TEXTO 1





A BASE DO ENSINAMENTO



Há um ensinamento chamado Advaita Vedanta, um caminho védico hindu de realização da consciência suprema, baseado nos ensinamentos dos sábios dos Upanishads. Também conhecido como “O Conhecimento Definitivo”, Advaita Vedanta nos diz que a natureza de Atman (alma) é UNA com a natureza de Brahman (Consciência, Deus). Jesus Cristo disse algo como Eu e meu Pai Somos Um. Aponta para uma ausência de diferença substancial entre isto e aquilo, mente e corpo, entre o macro e o micro, entre quaisquer relativos. Afinal, um depende do outro. São opostos complementaresNão existem EM SI. Dependem da ESSÊNCIA. A multiplicidade é o jogo do movimento APARENTE. Agora, do ponto de vista da aparência, é como se ela carregasse no íntimo algo como um saber intuitivo de sentir que a vida é um milagre, uma surpresa.

Esta VIDA, que estou chamando Vida Consciente, é aquilo que está além do tempo e do espaço. E ainda, milagrosamente, está incluída no tempo e no espaço como a dança de shiva, a dança da manifestação.

As experiências, os fenômenos da vida, a criação inteira, os universos, surgem do INOMINÁVEL. Aparece o tempo. Dura um tempo. E desaparece no INOMINÁVEL. O que aparece, e que hoje chamamos de vida, é energia em movimento, impermanência, mudança. Sendo. Se transformando. Verbo. Sempre outro.

Eis a natureza da realidade. O verbo vida consciente. E é exatamente por esta natureza, no movimento perfeito da consciência, que surge à mente todo este maravilhoso e misterioso teatro cósmico. A beleza sem fim desta manifestação como energia em movimento, captando isso e aquilo para ninguém.

Porque só há UM. O restante, acontecendo no UM, na orquestra de Maya - o feitiço secreto que cria o eu imaginário e o desfaz. Simplesmente assim.

Vida Consciente aponta para este momento, onde tudo já é completo desde a eternidade, e que mesmo isto acontecendo aqui é exatamente a expressão Daquilo AQUI. Cada aparente ego ainda tem um sentido intuitivo que diz que somos maiores do que pensamos ser, como se ainda não estivéssemos visto o suficiente, o que culmina . Todo ser humano sente isso. Mas claro que cada um explica do seu jeito. (Alguns ainda querem dizer que seu jeito é o único jeito). A explicação é pessoal. Se a programação é de um crente, lá vem explicação. Se é de um ateu, OUTRA EXPLICAÇÃO. O que há de comum nisso? Explicações.

Não há absolutamente nenhuma maneira de compreender isto se não for o momento de compreender isto. Mas o fato é que este ensinamento quer apontar para outro lugar. Um lugar que nem é um lugar (é um não-lugar), porque é AQUI, e este não lugar chamado AQUI está sempre acontecendo, não importa onde e em que tempo. É sempre AQUI.
AQUI É SIMPLESMENTE ESTE MOMENTO ETERNO.

Simplesmente Aqui.

Onde tudo sempre acontece? AQUI. Sempre. Que explicação precisaria para isto? Ninguém faz este AQUI. Ele existe por si mesmo, porque nada existe fora deste AQUI. E junto, uma entrega natural em que ninguém aparece para dizer “Eu me entreguei” e se orgulhar disto. Não há ninguém a se entregar. Assim como não há ninguém que iluminou que possa ficar se orgulhando de sua iluminação, não há tampouco o entregador, ou aquele que pode se entregar. Há apenas ENTREGA. Ela acontece naturalmente, no momento certo, como as estações, como o tempo, como a chuva. Contextos criam a cada segundo novas combinações de Vida. A cada momento novo e inédito como um novo aspecto de si mesmo. O corpo mexe. A língua fala. Escolhas são feitas. Sorrisos vêm. Lágrimas descem. Fome surge. Tesão desperta.

O Todo funciona harmonicamente. A ideia de ser independente do Todo é apenas um conceito mental que aparece dentro do Todo. Tudo é o Todo o tempo inteiro. Em ignorância e em sabedoria. A Unidade vive a diversidade. Neste momento AQUI, tudo é como deve ser. Pois se fosse outra coisa, seria esta coisa AQUI. Este momento é a Vida Consciente.

E onde fica as nossas escolhas individuais nisso?

Nossas escolhas ficam do jeito como sempre foram. Elas não parecem ser individuais? Esta é a brincadeira maravilhosa. Mas veja, agora há um saber de que as escolhas acontecem através deste milagroso organismo. O organismo recebe as escolhas e os pensamentos. As escolhas não são de Sara ou de Virgínia, porque Sara e Virgínia não podem escolher individualmente, já que pertencem à energia da vida, que é uma tapeçaria complexa e surpreendente sempre, onde tudo afeta tudo. Tudo é Um. É bom quando há um compreender com o coração, porque muitas das perguntas caem naturalmente. Mas isso você também não pode escolher. Simplesmente acontece.

Mas depois que um pensamento acontece, eu posso escolher se vou usá-lo ou não! Eis o meu livre arbítrio!
Você quer dizer que sempre consegue neutralizar a sua raiva? Ou parar de comer na hora certa? Ou mesmo nunca ficar triste ou com medo? Sim, é verdade que você pode pensar em fazer isto. Mas o que é este você que você está chamando de você? Vamos examinar a questão com calma. Ao examinar, a questão dissolve. Vamos olhar para isso e ver o que é realmente isto que estou chamando de eu.
Quando a gente nasce, não sabemos quem somos e nem o que é a vida. Vamos aprendendo com o mundo a nossa volta. Nosso corpo veio de nossos pais. A nossa mente veio da nossa educação e do meio ambiente. Genética e educação constante, até este momento, cria o que chamamos de eu. O que é o eu, então? O eu é simplesmente a maneira como este corpo responde a todos os estímulos externos que recebe, ao se encontrar com o mundo e com as pessoas. O eu é baseado em programação, em gens + educação. Este eu reage ao mundo. Este eu reage às pessoas.

Sim, Mas ele pode deixar de reagir. Pode aprender. Pode fazer diferente.

Exato! E porque não o fez já? Muitas vezes fez tudo que tinha de fazer, e os resultados saíram fora do seu gosto. Porque se acontece de você sentir-se motivado a fazer diferente, este poder que o levou a fazer diferente é o poder da Vida. É isso que estamos apontando aqui neste ensinamento.
Um processo chamado Ego também traz outro drama: a pessoa passa a crer que é autora dos seus pensamentos, sentimentos e ações, perdendo de vista a teia da vida, e a sua não-separação natural com tudo que existe.
O Ego é um processo na mente que cria o meu, o minha, o seu, o dela. O Ego é o instrumento de propriedade, a necessidade de ser alguma coisa, qualquer coisa, muitas vezes compulsivamente. O Ego é simplesmente o sentimento ilusório de autoria. Você pensa que foi você que pensou. Mas o pensamento aconteceu. Depois você notou o pensamento. Ele veio simplesmente. Como do nada. Observe isso. Você não sabe do que vai pensar daqui um minuto, sabe?

Sambodh Naseeb








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