INTRODUÇÃO



INTRODUÇÃO


Meditação é descobrir um silêncio interior que
nunca é perturbado pelo barulho exterior.
Então você está livre.

Osho



A essência da Visão da Unidade ou o também chamado ensinamento não dualista perpassa, na verdade, todas as grandes tradições espirituais da humanidade, conversando intimamente, nos tempos atuais, com os novos estudos da física quântica e da ciência da consciência, iniciada pelos físicos Max Planck, Einstein, Niels Bohr, Erwin Schrodinger, Heisenberg, Wolfgang Pauli, e outros.

Esta é uma das chaves douradas nos ensinamentos dos grandes sábios. A base dessa visão foi sempre reconhecida por místicos de inúmeras vertentes espirituais: na visão indiana do Advaita Vedanta de Shankara; em Plotino no Misticismo Cristão; na Kabalahh judaica; no Budismo indiano e tibetano e japonês; no Taoísmo chinês com os sábios Lieh Tzu, Chuang Tzu e Lao Tzu... Há paralelos aproximados na filosofia ocidental, em Sócrates, Plotino, Pythagoras, Heráclito, Plotino, Leibniz, Espinoza, David Hume, Ludwig Wittgenstein, Richard Rorty. 

Importante ressaltar que grande parte dos livros de temática "meditação" costuma dar ênfase aos processos mentais do caminho da interiorização, como existe no Budismo e no Vedanta, por exemplo. de visualização, posturas, respiração, e disciplina através de exercícios e técnicas. Técnicas de purificação e meditação não serão abordadas de modo a poder dar primazia ao caminho da libertação através da sabedoria, do autoconhecimento. Não o conhecimento de fora. Não o conhecimento do outro. Não o conhecimento do mundo. Mas eu. Quem sou eu? O que eu quero? De onde vim? Para onde vou? Na Índia há inúmeros yogas (caminhos de libertação) com a finalidade de aproximar o indivíduo um pouco mais do derretimento. O ego tem de ser instrumental. e não o mestre. Esta é o que chamamos de Yoga do Conhecimento - que tem por substância natural a clareza da mente e ca compreensão intuitiva da Vida. Investiga de forma natural, com olhar curioso e aberto, tudo aquilo que a todo momento a experiência está brincando, e ao mesmo tempo observando os processos da mente que impedem o reconhecimento da beleza da essência silenciosa que é nossa natureza primordial.

O diferencial abordado aqui é justamente para dar ênfase a uma abordagem do autoconhecimento milenar chamado de “Caminho da Sabedoria”, também conhecida como Jnana Yoga, que está se popularizando mais nos últimos anos. Também apontada quando se fala em Advaita, Auto-Investigação, Satsang.  Vamos explorar o significado da investigação proposta por contemporâneos mestres não dualistas, dando destaque às perguntas-koans Quem é Você? ou Quem está dentro?, principal ferramenta de investigação e inquirição.

Ao ouvirmos os grandes mestres e sábios, vemos que dhyana (traduzida ocidentalmente como meditação) não é, na verdade, um processo mental ou mesmo um exercício, mas sim um estado de Presença, uma visão profunda experienciada pelo místico, em que a realidade essencial do eu é revelada, e tudo é visto como realmente é. Ou seja: apenas a Visão.  

Visão esta que revela todos os seres como um campo de possibilidades na dimensão da consciência. Cada pessoa experiencia como particulares e separados. Em verdade, sendo jamais outra coisa senão uma realidade não dual, uma pura e infinita Unidade de Ser. Não dual porque tudo será sempre uma relação de consciência x manifestação. Toda a experiência é manifestação. Toda manifestação deve ser observada para ser uma manifestação. Todo objeto tem de ser observado por um sujeito para ser objeto. Não há vida para você quando você não está tomando conhecimento dela.

Se toda a experiência é observada, então tudo é meu campo de sabedoria. Tudo que acontece é parte do jogo, do teatro, da dança das dualidades. Quem observa a experiência? Eu. E quem sou eu?

Esta tem sido a ênfase da sabedoria oriental: é necessário uma sintonia da mente e do corpo com o insight, com a visão. Todo o trabalho de práticas e exercícios espirituais elaborados por muitos mestres em muitas tradições buscam justamente isto: aproximar o ensinamento da vivência prática do cotidiano, auxiliar o iniciante a purificar seu corpo e sua mente de forma a compreender mais claramente a visão da sabedoria, mergulhando naturalmente no silêncio que decorre dessa compreensão.

A experiência da não experiência, ou a chamada experiência mística não dual, revela o amor/silêncio que transcende o amor humano, que é apenas um reflexo da Sabedoria Última: o campo de possibilidades infinitas de pura criatividade.

Na investigação de “quem nós realmente somos” é revelado esse mistério, no qual o absoluto e o relativo se interpenetram e se revelam como complementares e unos.
Essência do ensinamento: o sagrado e você são essencialmente a mesma substância. Toda e qualquer experiência é feita de uma essência além do tempo e do espaço que a mente conhece. Tudo que é feito este mundo emana da criatividade do Uno.

Abordaremos a fundo essa perspectiva – a visão intuitiva não dual que corrige a noção de que você e o mundo são entidades separadas.



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Este ensinamento não propõe mudanças ou melhoramentos na personalidade, como pregam os livros de autoajuda ou alguns movimentos da Nova Era. Não há promessas, nem dogmas, nem verdades, nem regras ou modelos a seguir. Há simplesmente uma tentativa de provocar uma visão, um reconhecimento do que já é. É possível que esta visão desperte com a contemplação do ensinamento. Mas nada é garantido. Ou há o ver ou não há o ver. É bem possível também que ocorra gradualmente.

Este ensinamento é análogo ao método socrático no sentido de não ter nada a afirmar, mas sim convidar o buscador a reconhecer o fim da sua busca neurótica por felicidade e a tomar assento no seu estado natural. Ensinamentos são setas que apontam. Eles são nada mais que conceitos úteis que podem ajudar a desconstruir o edifício de crenças imposto a cada um de nós ao nascer neste mundo. Sócrates nada ensinou, mas questionou todas as crenças e dogmas sociais que impediam a sabedoria, a clareza e a espiritualidade. O primeiro vislumbre do acordar é o reconhecimento do eu como vazio, o espaço consciente pleno e transparente que somos. Mas não para por aí. O definitivo vislumbre e insight é o reconhecimento do eu como luz, amor, preenchimento, completude.

Se você apenas se dá conta do vazio, tenderá a se tornar um niilista, onde nenhum significado aparece, e nada na vida parece fazer sentido ou ter importância. É onde muitos filósofos chegaram. Mas este não é o fim. Mais adiante o vazio se torna luminoso, e você se reconhece como espaço vazio de Amor transbordante. Então o vazio é preenchido com o Amor Infinito.

E apenas o preenchimento deste vazio é o que torna a existência bela e significativa. Então sim, você pode dizer que não há nenhuma meta, nenhum esforço ou futuro. Você pode dizer de todo coração que este momento já é suficiente. É o Agora em completude. O vazio é luminoso. Nisargadatta dizia assim: “Na consciência sou nada. No Amor eu sou tudo. Entre os dois minha vida flui”.


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O Encontro Sagrado consiste de reflexões, perguntas, provocações, convites, proposições, esclarecimentos e insights. Como a verdade além da linguagem é sempre viva, não há respostas prontas. Este vazio luminoso não é algo a se obter. É o que nós somos além do conhecimento. Jamais podemos perder o que nós somos, porque já somos - essencialmente, isto não depende do conhecimento. A Visão não é conhecimento. É experiência. Mas impessoal.

Este trabalho investigativo não acredita em sistemas, estratégias onde a verdade é colocada em uma caixa para ser admirada e analisada. Por outro lado, convida-o, sim, a perceber você mesmo em sua nudez, honestidade, verdade e transparência. Como diriêa Sócrates, a sabedoria é inata em todos os seres. O sábio de Atenas chamava seu método de maiêutica – ferramenta de parir ideias. O sábio de Atenas ajudaria a criar o contexto fértil para dar luz à sabedoria oculta dentro de todos nós. Assim, a visão não dual trata-se obviamente de um reconhecimento, e não um conhecimento. Você não o sol porque as janelas estão fechadas. Mas o sol está lá fora. O ensinamento lhe ensina a abrir as janelas.

Depois de assimilada, a clareza nos mostra o óbvio, e tudo fica mais simples, sendo a dificuldade inicial apenas consequência do fato de que estamos muitíssimo condicionados a olhar para nós mesmos e para o mundo através das lentes emprestadas dos outros, tais como a educação a que nos submetemos, crenças culturais e mentiras sociais que são perpetuadas há séculos por mentes inconscientes que lutam por manter as massas sob dominação, aprisionadas pelo medo e reféns da ignorância.

Espero humildemente poder inspirá-lo a aprofundar o seu caminho, dando o meu testemunho que aquilo que todos os mestres iluminados disseram é a suprema beleza e o supremo sentido, reconhecido além da mente, de todo coração, uma entrega que sempre está disponível a todo momento. Não há nenhuma atividade. Nada. Mas uma profunda entrega ao que estiver acontecendo. uma profunda entrega à experiência deste instante. Este instante é a bênção. 

Que você possa a cada momento ter mais lucidez e profundidade na sua autodescoberta diária. E que o despertar da clareza e da alegria renove a sua vida e o faça se surpreender cada instante com a beleza e o mistério da existência.

Que todos possam ser felizes!

Sambodh Naseeb

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