LIVRO

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DE BUSCADOR A ENCONTRADOR





Ainda me intriga essa questão da consciência. É que normalmente os psicólogos falam da consciência como algo pessoal, um subproduto do corpo e do cérebro. E você está falando em uma consciência impessoal, universal, anterior a todo aparecimento. Pode me esclarecer mais sobre o que seja esta impessoalidade?

Vamos fazer uma analogia. Imagine a consciência como o espaço. Você não pode ver ou tocar o espaço. O espaço não tem cor, não tem cheiro, não tem tamanho ou qualquer limite. Mas você sabe que o espaço existe porque seu corpo está dentro desse espaço, e sabe que todos os objetos também estão dentro desse espaço. Seu corpo se movimenta dentro do espaço, e sua vida inteira acontece nele. Todos os universos cabem dentro desse espaço.

Na analogia, este espaço é a consciência. Consciência não pode ser vista, nem cheirada, nem tocada, nem vista, ouvida, nem possui tamanho ou altura. Mas como você pode saber dela? Porque você é ela! Porque ela lhe dá uma experiência de você mesmo e do mundo como existente. Você está consciente agora! Se não fosse a consciência, seu corpo, sua mente e o mundo não apareceriam!

Ela é isto que lhe faz consciente! Ela é você! Você essencialmente é pura consciência.

O espaço contém objetos. Você é um objeto dentro do espaço, assim como tudo o que você vê: montanhas, árvores, animais, carros, casas, estradas, pássaros, livros, tudo é um objeto dentro do espaço. O espaço é a consciência, e os objetos são os conteúdos da consciência (sentimentos, pensamentos, sensações).

Outro exemplo: a eletricidade vem da usina hidrelétrica, chega até sua casa, e uma lâmpada ilumina sua sala. Essa eletricidade está chegando a sua casa na forma de uma lâmpada.

O potencial de energia é a consciência. Sua mente é a lâmpada. A luz de dentro da lâmpada não vem da lâmpada, da mesma forma que a energia da mente não vem da mente – e sim da consciência. Assim como o sol ilumina a lua, a consciência ilumina a mente.

Tudo o que existe provém da mesma Fonte Criativa. Quando uma lâmpada queima, não dizemos que a eletricidade queimou. Sabemos que só a lâmpada precisa ser trocada.

Quando você diz que está consciente, essa consciência vem da Inteligência Suprema. Quando a Unidade vive um corpo, vive através de uma mente. Uma pessoa é um objeto dotado de consciência.


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Os sábios afirmam que o propósito da vida não está acabado no nascimento. É preciso descobrir quem é você. Descobrir todo o potencial oculto. É esse potencial que dá origem a uma vida plena. A uma boa vida, como dizia Sócrates. Eudaimonia, para os gregos. Segundo os estóicos, o sábio não é aquele que sabe tudo sobre o mundo. O sábio é aquele que sabe viver. Eis a diferença. Ele sabe como as coisas realmente são. E assim, as trata do modo como realmente devem ser tratadas.

Na índia, a meditação tem sido muito importante para os iniciantes no caminho. É a meditação que muitas vezes dá a experiência existencial disso que estamos falando. Ou seja, você pode assim ser seu próprio laboratório. Olhar para si mesmo, por si mesmo. Os sábios convidam e seduzem para que lhe desperte a sede de investigar por si mesmo.

E dão as ferramentas: os ensinamentos, a atitude investigativa, e a meditação.

Meditação não é entreter a mente com pensamentos positivos. Isto é mentalização. Meditação é aprender a despertar a si mesmo e ver quem é você.

No início do processo, observamos os pensamentos como se fossem nuvens passando. E sabemos que aquilo que observa os pensamentos é o vazio da consciência, o Eu Real.


Sou muito influenciada por o que os outros dizem. Sempre achei muito difícil não ser envolvida pelas desaprovações dos outros. Alguma dica para ir além disso?

Algumas pessoas podem não amar você, não gostar de você, ou mesmo não lhe aprovar. Mas isso é da conta dos outros. O que você tem a ver com isso? Seja você mesmo! Você pode controlar o que os outros devem fazer, pensar ou sentir? Impossível. Isso é da conta deles! Cuide da sua conta! Ninguém é unanimidade. Ainda por cima, há muita inveja, e quando você está se destacando em alguma coisa, há sempre pessoas pouco criativas que, para se sentirem bem, tentarão lhe colocar para baixo. Mas é assim mesmo que funciona neste mundo. Isso é parte da vida, inerente aos desafios da Escola da Existência. Tenha sempre em mente que muitas pessoas já o amam do jeito que você é. Aceite sua natureza. Seja responsável pela sua expressão. Está tudo bem em ser você mesmo.

Essa visão é sobre o Amor Consciente. Quando você vê todas as situações da vida como uma oportunidade de dar, então tudo começa a se transformar. Todos os momentos podem ser vistos como lições de amor, a cada vez que o medo nos bater à porta. Só há dois caminhos: medo ou amor. Nenhuma outra alternativa.

Se você puder, repare no amor que você sente por pequenos detalhes de sua vida. Exatamente na vida cotidiana mais comum, nas tarefas mais simples, ali está sempre o dom do amor a se fazer brilhar. A visão não dual da realidade diz que não existem duas coisas, que tudo é Uno, uma realidade só. Tudo é Amor. Tudo é Consciência. Tudo é um Momento Sagrado. Reconheça o divino no mundano. O sagrado no profano.

Quando ocorre de você se abrir, criatividade irradia. Chamamos isso de clareza. A dinâmica criativa penetra em sua mente mostrando faces da existência até então jamais sonhadas. Os mistérios são abertos por essa intuição, que nasce do alinhamento com aquilo que você é de verdade.

Essa é a Escola da Existência. A Escola do Amor Consciente. Tudo aqui é para expandir sua noção de si mesmo. Para que não fique apequenado em sua mente condicionada. Para que seu coração lance voos em direção a mais e mais criações, e um tesão pela vida possa surgir no brilho dos olhos.

A Escola da Existência é composta de leis, assim como um jogo é feito de regras. Se você tiver interesse em conhecer as leis que a regem, saberá que tudo o que existe tem um significado muito mais profundo do que você imaginava. Você se dará conta de que as regras e condicionamentos sociais são muito limitados e superficiais, e, de acordo com o que você aprendeu em sua pretensa educação, inevitavelmente não haverá outra forma de viver a não ser através do medo. Competitividade gera medo. Falta de dinheiro gera medo. Solidão gera medo. Futuro gera medo. Comparação gera medo.

Conhecer a si mesmo é liberdade. Ser livre é sempre um assunto interno. Socialmente, jamais seremos livres. O corpo e a mente dependem de mil e um fatores para existir. Mas, se você descobre quem você é, entende o que é liberdade.

Meditação e Amor são sinônimos. Meditação é o Amor em silêncio. Amor é a Meditação dançando nas formas, encontrando texturas, criando novas paisagens.

Meditação é repouso. Amor é encontro.

Esta vida é uma Escola de Amor Consciente.

O Momento Sagrado é o mais íntimo encontro no Amor Consciente, aquele que não aponta para um relacionamento, mas sim para a Unidade, e não se relaciona porque não é dividido em partes. A clareza aponta para vermos a Unidade neste exato momento. A pessoa se torna transparente. A clareza aponta através do nome e da forma.

O que você pode ser além da forma e do nome? Essa é a pergunta daquele que busca a verdade além do tempo. E, como não se encontra no tempo, está eternamente aqui e agora. Veja o tempo sempre como um impedimento para descobrir a verdade. Mestre Papaji dizia: Keep Quiet! Fique quieto! Sem tempo. E veja.


Fala-se muito em consciência. Mas o que o amor tem a ver com a consciência?

Tudo o que vem a você pode ser transformado pelo Amor, porque o Amor é a essência da Unidade, seu Ser mais profundo. Amor, Consciência, Sabedoria, Beleza são propriedades do Ser em todas as coisas. Tudo o que existe é Amor. Esse Amor não é reconhecido diariamente porque a mente ainda está envolvida em medos e desejos. A base da mente condicionada é o medo e o desejo. A mente em ignorância de sua natureza como Amor Consciente vive sempre em insatisfação e incompletude. Enquanto que a mente que vive a serviço do amor Consciente se manifesta como sabedoria e clareza.

Todo momento é sagrado do ponto de vista do Ser. E todo momento é um problema do ponto de vista da mente condicionada. Quando a luz do Ser invade a mente, esta se transforma numa ferramenta criativa dentro do mundo. Quando o Ser Consciente esclarece a mente, aprendemos a olhar tudo com abertura. É o início de uma diminuição de nossas reações e impulsos inconscientes.

Esta reação inconsciente significa lutar com o que quer que seja que se aproxime de você - um pensamento, uma pessoa, uma situação difícil. Amar a Deus sobre todas as coisas é um lema dos antigos. Mas quer dizer simplesmente deixar a clareza ser o mestre de sua vida. Todo o caminho de esclarecimento é uma forma de transformar o medo em Amor e Abertura. Tudo o que parece faltar para sermos preenchidos e tranquilos é visto como ilusão. Aqui e agora não existe falta, pois não há comparação com nada mais. Este momento é ISTO.


O que você poderia dizer que é mais importante lembrar sobre a essência desta visão não dualista?

Todas as experiências, pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, memórias, crenças, intuições, ações, reações, percepções – são meramente fenômenos, objetos percebidos por você. Você não é um fenômeno, e portanto não é o que você pensa.

Tudo o que é visto, ouvido, tocado, fundido, provado, quer com sentidos físicos ou sutis são simplesmente fenômenos, e, da mesma forma, são objetos percebidos na consciência. Tudo o que tem qualquer característica ou qualquer atributo pelo qual pode ser reconhecido ou discernido pela mente e os cinco sentidos é um fenômeno.

Um fenômeno é um objeto percebido por você. Se você fechar os olhos, o seu corpo, os sons, sentimentos, pensamentos são objetos que surgem para você. Verifique isto. Quem é você? Você é sempre o que observa. Você é sempre a consciência.

Você é o sujeito maior de todas as experiências. Só você é o sujeito. Tudo o mais é um objeto que aparece para você e em você.
Consciência nada tem a ver com a pessoa. O corpo e a mente são instrumentos, veículos da consciência. Tudo o que você pensa, seu corpo, todos os objetos imaginados ou vistos estão dentro da consciência universal que você é. Esses objetos aparecem e desaparecem.

Advaita quer dizer isto: tudo é Unidade, e ao mesmo tempo, esta Unidade é vista através dos óculos da mente como diversidade, criação contínua, transitoriedade, variedade e dualidade. Quando o mundo é percebido em alinhamento a esta visão intuitiva da Unidade, o inferno torna-se o paraíso. É o mesmo mundo, mas tudo é diferente. Então você vive no mundo com os olhos encantados.

Por isso, aquilo que você é de verdade não pode ser expresso ou pensado. Essa visão aponta para o silêncio como resposta. Meu mestre dizia: “O silêncio é a resposta”. Silêncio este no qual todas as perguntas simplesmente não fazem mais sentido. E, assim, o Amor Sublime é convidado.


Ouvi falar que estamos em tempos de um novo despertar espiritual no planeta. Eckhart Tolle comenta isso em um de seus livros. É verdade que muitas pessoas estão acordando? Como você vê isso?

Recordo de Osho citando uma profecia de Gautama Buda, que disse que retornaria ao mundo como Maitreya, que significa "o amigo". Maitreya viria na forma de muitos amigos despertos, espalhando a sabedoria da Unidade em toda a terra. Isto parece estar acontecendo. Ainda no começo, é verdade, mas os pioneiros mensageiros e jardineiros do espírito já estão aparecendo.

Osho afirmou também que o tempo deste jogo antigo do mestre e do discípulo estava com os dias contados. Tempos maduros se aproximavam, que daria lugar a círculos de amizade espiritual, de celebração e resgate da sabedoria milenar entre amigos. Ele mesmo disse que jamais teria entrado nesse jogo se pudesse, se fosse possível espalhar a boa nova de outra maneira. Mas foi uma escolha consciente e necessária naquele tempo em que ele viveu. E ele fez o barulho merecido, semeando ensinamentos para um mundo pós-moderno em que a ciência prevalece e a derrocada da religião tradicional acelera seu ritmo sem volta, dando lugar aos espíritos livres, aos homens de boa vontade, e aos puros de coração.

O fato é que estamos entrando agora no mundo dos “amigos acordados”. Os amigos que compartilham luz. Essa é a beleza e o encanto dos novos tempos. Por isso, o Círculo de Satsang, o encontro com a Verdade, ao contrário da formalidade milenar indiana, gradualmente está se transformando numa comunhão viva de amigos que celebram a grande brincadeira do amor, da comunhão e do desaparecimento da separação, bebendo o néctar da Unidade.

O guru que habita seu coração é o mestre amado que você sempre procurou. Olhe para dentro! Você é o observador de tudo o que é percebido. Você é a invisível testemunha de toda a experiência. Você é o Ser oculto que testemunha todas as experiências do mundo, do corpo e da mente.

Aquele que for sincero e honesto receberá as bênçãos que jorram por todos os lugares, em todos aqueles que se reconhecerem como expressão fiel do sagrado. E todos foram convidados. Todos. O Amor Consciente inclui tudo, sem exceção.


Estive buscando a paz interior por muitos anos em minha vida. Mas me sinto muito frustrado. Nada tem acontecido como eu esperava. É como se eu estivesse remando no escuro depois de tantos anos. Onde estou? O que fazer? O que posso esperar?

O silêncio é a resposta. Veja que o futuro é um pensamento que acontece neste momento. Não há nada a esperar. O Amor Consciente já está aqui. Nada pode acontecer no futuro, porque ele não existe em si! O futuro é uma ideia. O Amor Consciente não vive o futuro.

A mente condicionada está sempre julgando, analisando, intuindo, comparando, resmungando, pensando sobre tudo o que aconteceu. Mas você nunca sai do Agora. Perceba que você está consciente deste momento. Alinhe-se.

Lembre-se que a mente é consciência envolvida e identificada com os pontos de vista da memória. Esse envolvimento cria inúmeras emoções contraditórias e ilusórias, e os eus impostores que tomam o lugar de você.

Mente significa consciência envolvida com a memória, com as histórias contadas pelos pensamentos. É você envolvido num filme mental, nas histórias criadas pelos arquivos da sua memória.

A mente é os programas - o software. O cérebro é a máquina - o hardware. Mente é feita de histórias, programas, condicionamentos, conceitos, palavras. Mente é experiência passada. Mente é conhecimento.

E tudo isso está muito bem. É esta a função da mente, uma linda função objetiva. Mas, lembre-se: você é o momento vivo, o experienciar inédito. Você é o agora. Você é consciência. E consciência não é um pensamento. Consciência está consciente dos pensamentos e pode se envolver com os pensamentos apenas a nível pessoal.

Na impessoalidade, você continua sendo exatamente o que é: espaço vazio, criatividade, plenitude, natureza livre e aberta. Você é a realidade viva.

Esta realidade não pode ser compreendida pela mente. A realidade não fala a linguagem da lógica. O máximo que a mente pode lhe dar é uma vida virtual, uma história, uma descrição sobre a realidade dada pelos outros.

Mas isto não é a realidade! É uma bolha cheia de crenças sobre a realidade que você acredita. A vida real pertence sempre ao desconhecido, e não cabe na memória, que é feita de passado. A vida é sempre um devir – viva, surpreendente, nova, inédita, ampla, um eterno vir-a-ser. Todas estas palavras também não são a realidade, mas elas procuram apontar para este silêncio onde a experiência pode comunicar sem linguagem. Nada disso é real, mas é ISTO que este ensinamento aponta: olhe pra dentro. O que é real não é uma história.

Mente é energia aprisionada no conhecido, no passado morto, no já estabelecido, no medo. Deixe a mente ser uma boa ferramenta, que é sua função genuína no mundo objetivo. Se seu corpo tem fome, ela avisa. Você precisa voltar para casa, ela sabe o caminho. Ela é perfeita com coisas objetivas.

Mas quando o assunto é emoções, paz, alegria, ela fica nos devendo. Apenas saiba que você não precisa estar envolvido em sua mente o tempo todo. Você não pode permitir ser guiado por ela 24 horas de sua vida. Ela lhe privará do novo. Ela roubará o amor disponível. A celebração do agora ficará impossível. Ela nunca está presente para desfrutar dos presentes do instante.


Mas é difícil sair dela, não? A mente nos envolve de forma muito sedutora. O que mais desejo é sair dessa loucura, viver presente. Mas como sair da mente? Sei que a meditação é um grande caminho, mas estou sempre me envolvendo com o passado, e o diálogo interno me cansa.

Em primeiro lugar: a mente não tem vida própria. Note que é você que dá poder a ela. Eis a chave dourada: você não está dentro dela, porque estar dentro dela é mais um pensamento criado pela mente!

Você imagina que está dentro dela e sendo guiado, e que ela é mais forte que você. Isso é tudo um vício adquirido e que pode ser transposto. Vou te dar um exemplo: vamos imaginar que a mente é uma bolha, e que dentro dessa bolha há um programa que contém todas as suas experiências vividas no passado. Nesse programa, existem histórias para serem selecionadas e montadas a cada minuto. Algumas histórias são dramáticas, outras engraçadas, algumas são aventuras, outras são cenas eróticas. Um programa de múltiplas possibilidades. Pois essa é a mente: um biocomputador que seleciona novos programas através do jogo de imagem e linguagem, a partir de suas experiências passadas. Objetivamente, sua função é cuidar de sua sobrevivência e administrar seu corpo o melhor que puder. A cada momento, novos condicionamentos são processados e armazenados na sua memória.

O problema é que nunca tomamos consciência de como tudo isso funciona; então, como consequência, o medo da sobrevivência sempre predomina. O servo, que é o instrumento mente, dominou o mestre, que é você como consciência.

O grande infortúnio é não termos aprendido a arte de observar o programa, e vivemos, desnecessariamente, apegando-nos a mil e uma histórias que são criadas inconscientemente.

Meditação é, em princípio, a arte de observar a mente, e tomar consciência do programa mental que opera em seu organismo. Meditação é a arte de se tornar uma testemunha da mente e do corpo. Quando você aprende realmente o que é meditação, todo o momento é um momento meditativo, porque não há momento que não possa ser observado.

Não é preciso esperar chegar em casa para meditar. Sim, desfrute o silêncio em casa. Observe sua mente. Mas continue o mesmo princípio durante as 24 horas. Assim, você irá um dia além das técnicas. Perceba amorosamente como a mente tece histórias absurdas. Você já observou as histórias que a mente conta?


Sim, uma história após a outra. Eu caio sempre nessas histórias, me envolvo, e rapidamente já estou sofrendo. É um vício. Li uma vez que nós criamos nossas vidas através de nossos pensamentos.

Eu diria melhor: é a mente condicionada que cria as histórias, usando os dados da memória - tanto positivos como negativos. A mente cria as histórias e, na inconsciência, você vive o personagem sofredor. Sem consciência das mentiras inerentes às histórias que a mente elabora, surge identificação com o enredo deste filme, e colocamos a culpa pelos nossos dissabores nos outros, no destino, no karma, em algo externo. Com meditação você começa a tomar consciência de que você não é a mente!


Vivo o céu e o inferno em poucos minutos. Altos e baixos. Guerra e paz. É uma roda que sempre se repete.

Buda chamou de roda de samsara os hábitos automáticos da mente, que giram como círculos sem fim. A mente trabalha oculta, criando efeitos de causas precedentes, elaborando mil fantasias, imaginando soluções para os infinitos desejos, e criando centenas de histórias que não tem pé nem cabeça. É óbvio que todos nós podemos ser perdoados, porque não temos consciência do que estamos fazendo, e não há de verdade um eu fazendo isto. Apenas hábitos e ações.

O dizer de Jesus, “Perdoa-os, porque não sabem o que fazem”, se refere a isso. A inconsciência cria um padrão automático de pensar e agir, sem livre escolha. Você fica aprisionado aos pensamentos e desejos, e ainda crente de que uma conspiração está guiando sua vida ao inferno.

A única conspiração é a ignorância de si mesmo.


A única salvação é expandir a consciência. É isso que Buda quer nos apontar quando diz que a ignorância de nossa natureza livre gera sofrimento e dor.


(do livro MOMENTO SAGRADO, de Sambodh Naseeb)

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